Será que eu vou encontrar a garota certa

Não que elas sejam mais ou menos, mas se comportam como tal. Tem gente que pensa assim: “Já que a mulher de minha vida é minha cara-metade, serei metade até que a encontre e quando a encontrar, todos os meus problemas estarão resolvidos”. Gente “mais ou menos”. Te falo, quanto este cara encontrar a garota, não será o começo de ... Não espere que outra pessoa lhe complete. Deixe que Deus faça isso. Alguns rapazes pensam: “Já que minha mulher deverá ser minha cara-metade, então acho que serei apenas 50 por cento completo, até que a encontre. Quando a encontrar, ele irá preencher meu vazio e tomar conta de todas as minhas necessidades emocionais”. Se esse cara encontrar uma garota, não será o começo de um relacionamento – será uma situação de dependência, ela será refém de suas carências. Antes que possamos verdadeiramente amar alguém, devemos nos satisfazer em ser amados por Deus somente. Porém, se você esteja a procura de uma nova garota, as melhores opções são os sites de acompanhantes de luxo e o Twitter, onde será possível encontrar garotas na sua cidade com agenda disponível e interesse em atendimentos do tipo. Como escolher a garota certa “Dependendo da acompanhante fica mais fácil de conseguir uma troca. - Disse que você sempre soube que eu era a garota certa pra você perder a sua virgindade, que você só iria fazer isso se fosse comigo e que eu sou a namorada que você sempre quis ter. Daí eu percebi que estava pronta. Pronta para me entregar a você. Ontem eu estava nervosa e insegura, de tanto que pensei nisso a semana toda. Mas agora, não. Lucy Heartfilia ,uma menina que sofria bullying desde pequena ,chegou a entrar em depressão, por sempre ser humilhada por seu irmão mais velho,sempre que a pequena chegava da escola ela ia para seu quarto chorar, mais sua irmã (Michelle Heartfilia) sempre ia consolar Lucy,seu irmão mais velho Laxus sempre usava a pequena ,quase como escrava e ainda a humilhava,até fez a pequena a pensar ... eu sofro muito preconceito nas ruas e isso me fez perder a auto estima! essas manchas aumentam conforme a minha emoção, não posso ficar triste, nervoso ou ansioso! mas todo dia eu fico muito triste e nervoso! sempre fico pensando será que um dia eu vou encontrar uma garota que não ligue para a minha aparencia e não tenha vergonha de sair ... Da mesma forma, se você quiser encontrar uma garota apenas para um sexo casual, sem compromissos, talvez seja melhor você frequentar alguma balada. Com isso, você terá um mapa muito preciso sobre o tipo de relacionamento que você busca e conseguirá identificar o tipo de garota certa para você. A empregada, que devia ter cerca de 50 anos e trabalhava há muito tempo naquela casa, deu de ombros, como se não soubesse o que responder. Mas, em seguida, deixou a arrumação dos talheres na mesa, para ver o que acontecia. — Deixa que eu vou ver, dona Cida. Ao contrário do que imaginavam, porém, Beto já não estava na varanda. Até que um dia, entendi que eu não preciso buscar a pessoa certa, mas que eu preciso ser a pessoa certa. É muito fácil querer encontrar o cara certo, mas será que eu tenho sido a garota certa? Minhas atitudes, meus pensamentos, minha vida condiz com aquelas exigências que eu tenho colocado diante de Deus, para o tal cara certo?

Cada vez mais quebrado e tentando juntar os cacos

2020.09.09 04:41 kriskastro Cada vez mais quebrado e tentando juntar os cacos

Gente, já li de tudo por aqui e adoro os temas sobre relacionamento. Dessa vez chegou a minha vez de desabafar. : PS: Sorry pelo textão, mas é que eu preciso externar um pouco de tudo pra ver se me serve de alguma coisa.
Já não sou mais um adolescente, mas também não chego a ser já um adulto de meia idade; mas tá perto rs. Tenho 27 anos, já beirando os 28. Nunca engatei definitivamente em um relacionamento sério e nem sei se sou preparado para isso efetivamente, serio mesmo. Minha família é meio fudi* sobre relacionamentos. Pais separados, confusões aqui e ali e até pelo que pude perceber sobre os que estão além dos meus pais, digo tios e tias, a situação não é muito animadora ou exemplar. Enfim, sinto até que de alguma forma por não ter bons exemplos ou referências em casa isso de alguma forma pode ter me afetado, me travado, ou até mesmo me ter deixado com um certo nível de ansiedade/panico. Sei lá. Moro com a minha mãe ainda e meu irmão mais novo.
Sou uma pessoa que simplesmente não sai e resolveu viver isolado na sua própria bolha; diria até que com poucos amigos próximos, digamos assim... (sabe daqueles que você pode literalmente contar com eles para o que der e vier? Pois é.). Já sou formado, pago as próprias contas, ajudo até de certa forma a segurar ainda a estrutura financeira abalada em casa. SIM, meu pai era o provedor do dinheiro como toda "família tradicional" brasileira; mas hoje me dia minha mãe já tem a fonte de renda dela que se complementa com a minha. E meu pai acho que ainda ajuda só por conta do meu irmão mais novo mesmo.
Enfim, sinto que o tempo vai passando e passando e a maneira como eu vivo hoje me incomoda. Não quero ter esse papel de "pai provedor" da família que eu ainda não tive, se é que me entendem. Sinto que preciso mudar e sair dessa zona de (des)conforto, mas ao mesmo tempo vivo um dilema entre a responsabilidade para com aqueles que estão comigo e a vontade de construir algo meu, a minha própria história. Agora assim, sair de casa pra (sobre)viver e ficar a ver navios é foda, até pq a vida sozinho é bad trip total. Nessa parte, já quero introduzir o tema o relacionamento que até então são inexistentes; penso que de alguma forma quando você tem alguém que vale a pena você lutar para que as coisas deem certo, e obviamente a pessoa também queira, de alguma forma os dois conseguem encontrar alguma felicidade em meio a tudo, mesmo diante das dificuldades.
Mas vamos lá que já estou é divagando aqui. Sobre relacionamentos: sou uma pessoa extramente fechada. Não saio. Como disse, sou de poucos ou quase nenhum amigo próximo. Não considero conhecidos ou colegas de trabalho como alguém que se pode contar muito, sabe. Obviamente pra não pirar da batatinha, pelo menos cresci aderindo ao hobby de jogar video games pra aliviar um pouco o estresse e até a deprê - na verdade herdei esse hobby da adolescência e acho que os sentimentos meio depressivos também. Tenho ps4 que mal jogo hoje em dia, mas ainda me divirto um pouco no pc com uma galera muito massa no lol kk. SIM. 27 anos jogando ainda League of Legends. Mas voltando... pra piorar um pouco, tenho de certa forma uma atração, ou sei lá um imã, pra garotas que são bem peculiares, digamos assim.
O meu primeiro contato na adolescência que talvez pudesse ter rendido um relacionamento foi com uma garota que conheci no Tinder. Eu deveria ter uns 17 anos mais ou menos. Nem tinha entrado na faculdade. Ela era gata e inteligentíssima, mas não me recordo o nome dela. Sente o drama: depois de semanas conversando e praticamente se descobrindo quase que nascidos um pro outro, ela me revelou que fazia tratamento para câncer e já faziam anos e mais anos na luta. As fotos dela eram de peruca, sabe. Tanto que depois de semanas ela começou a me mostrar as fotos já carequinha. Ela morava no interior e vinha de tempos em tempos aqui pra cidade fazer o tratamento dela. O namorado dela a deixou depois dessa bad trip. Enfim, um negócio pesadíssimo. Quase como A culpa é das estrelas. : O tempo passou, coisas aconteceram, a vida foi entrando numa velocidade frenética. A faculdade chegou, as provas, os semestres, os estágios, a rotina maluca e simplesmente fomos aos poucos deixando de nos falar e eu simplesmente não sei o final dessa história. Mas me arrependo quase que amargamente de não ter ido conhecer ela pessoalmente independente do desfecho.
Na faculdade, me apaixonei por uma garota. Mas nem vou me alongar muito. A thread da facul: depois de anos estudando juntos, me declarei pra essa garota e para minha surpresa uma amiga nossa em comum também fez a mesma coisa. A garota da história é bi e eu tinha total consciência sobre isso, mas só fiz o que meu coração mandou. Enfim, esse negócio não foi nem pra frente e nem pra trás. Nem eu e nem a nossa amiga em comum ficou/namorou essa garota. Mais uma vez o tempo foi passando e passando... até que terminei a faculdade e até onde tive notícias, hoje a garota que eu era apaixonado está namorando um cara aí. Enterrei esse amor e deixei o tempo cumprir o papel dele. Aconteceram outras coisas na faculdade também entre eu e uma outra miga, mas nem vou comentar pq não vem ao caso, simplesmente não era para ser e pronto e o pior é que até transa sem camisinha rolou kk #medo, mas calma que teve pilula e teste após isso. Então, nada de filhos não programados. Amém.
Após a facul e agora sim em um tempo mais recente. No trabalho, há uns dois anos atrás descobri que uma garota era perdidamente apaixonada por mim. Isso era novidade pra mim que já estava acostumado só com amor não correspondido, mas o drama aqui é que eu simplesmente não sentia a mesma coisa por ela. Olha só que ironia, não? Isso é foda, pq eu sabia como era gostar de alguém e isso não ser recíproco. Mas enfim, a garota foi demitida e com a demissão acho que foi-se qlq esperança de se construir algum amor - isso para os que acreditam que esse trem é construído tijolinho, por tijolinho. Eu só simplesmente não sei como funciona, desculpa.
Há seis meses atrás ou até mais, meu coração resolveu bater mais forte por alguém mais uma vez. Mais uma coisa que simplesmente não sei o pq diabos acontece, mas já aceitei que a vida é assim. Ela é uma colega de trabalho. O tempo passou, ficamos íntimos, conversamos muito, mas muito mesmo sobre absolutamente tudo. Literalmente tudo. A pandemia chegou e até hoje estamos de home office :p. O drama aqui é que eu resolvi me declarar para ela. Abri o jogo. Coloquei as cartas na mesa e joguei para ver o que iria dar. Como resposta tive um surpresa e um desagrado ao mesmo tempo. A surpresa foi em saber que ela se preocupa comigo tanto quanto eu me preocupo com ela, mas amigos... o sentimento que temos um do outro é bem diferente. Infelizmente! Ah e o drama aqui não vou entrar em muitos detalhes, mas a thread só não chega a ser pior do que a minha primeira história e a segunda. Talvez seja pior que a segunda. Envolve uma infância bem conturbada da parte dela, abusos do pai e até relacionamentos abusivos de ex. Mas como disse, não vou entrar em detalhes. Enfim, essa semana tive a noticia de que ela está com um cara ai e é isso, amigos. Mais uma vez quebrei-me em mais um monte de pedaços antes mesmo de saber o que é um relacionamento.
Agora assim, sabe o que é o pior de tudo? A sensação de baixa-autoestima que você acaba criando e acho que até uma certa ansiedade/nervosismo ou sei lá o que. Um sentimento quase como: qual é o meu problema? Será que eu não sou uma pessoa interessante? Estou fora do padrão do que costumam encontrar por ai? Enfim, neuroses que nem vale a pena perder tempo pra não cultivar bad trips. O tempo só vai passando e não há nada que eu possa fazer a respeito a não ser aceitar que as coisas são como são e pronto. E que simplesmente não sirvo para relacionamentos. Talvez isso me conforte de alguma forma.
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2020.08.22 03:24 frdnt A estrada para a Vila Acidentada

O texto abaixo é uma tradução de um artigo originalmente publicado no blog de Cantuse. Ele é o 9º texto de uma série de teorias que ele chama de “O Manifesto”.
O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO I
O volume anterior [deste manifesto] não mediu esforços para estabelecer que Stannis, Melisandre e Mance conspiraram para resgatar Arya Stark.
Os detalhes desse resgate foram, até agora, vagos. O Volume II do Mannifesto visa detalhar precisamente a totalidade das jornadas de Mance ao longo de A Dança dos Dragões e além.
Sabemos que Mance primeiro deixou Jon com o objetivo declarado de resgatar Arya Stark. No entanto, o Volume I mostrou com detalhes meticulosos que o resgate também era necessário para ajudar Stannis.
Após o último encontro de Jon com Mance no capítulo de Melisandre, não o vemos novamente até o capítulo O Príncipe de Winterfell no castelo dos Stark.
O que aconteceu entre esses dois períodos?
Responder a esta pergunta requer uma análise detalhada das razões para Mance estar em Castelo Negro e qual era seu objetivo imediato ao partir. Para esses fins, este verbete do Manifesto afirma os seguintes pontos:
DEIXADO PARA TRÁS
Em Jon IV de A Dança dos Dragões, Stannis declara que está dando Camisa de Chocalho a Jon Snow. Por quê?
Afinal, Jon imediatamente declara que não tem uso para Camisa de Chocalho alegando que ele os trairá e retornará aos selvagens ou que outros membros da Patrulha da Noite irão matá-lo.
Mesmo assim, Stannis não muda de postura e deixa Camisa de Chocalho com Jon.
Por mais enigmático que pareça, explicar as razões para deixar Camisa de Chocalho em Castelo Negro é surpreendentemente simples - principalmente quando você compreende que Mance e Stannis conspiraram juntos.
A grande questão
Há uma grande questão que paira sobre tudo até agora dito em relação a Mance e Stannis:
Por que Stannis intencionalmente deixou Mance para trás?
Já mostrei que o plano quase certamente consistia em Mance se infiltrar no casamento e sequestrar Arya. Mas isso por si só não requer que Mance permaneça em Castelo Negro. Ele poderia ir para qualquer lugar, até mesmo com o próprio Stannis, se desejasse.
Qual foi então a razão para deixar Mance em Castelo Negro?
Outro Enigma
Antes de Stannis deixar Castelo Negro, ele tinha planejado originalmente levar os Thenns com ele. Eles deveriam ser sua vanguarda.
No entanto, Jon convence Stannis a deixá-los para trás.
Mais tarde descobrimos que os Thenns foram subsequentemente movidos para Vila Toupeira junto com todos os outros selvagens (ADWD, Jon V). Na verdade, eles foram rebaixados a serem iguais a estes colegas.
O que levanta questões importantes:
Por que Camisa de Chocalho não foi rebaixado da mesma forma?
Por que ele foi especificamente dado a Jon, como uma sumidade única entre os selvagens?
Quando você pensa sobre isso, parece que Stannis quer que Mance esteja o mais próximo possível de Jon.
Antes do Anúncio
Dado que Melisandre teve sua visão da garota cinza antes de Stannis partir para Bosque Profundo, isso significa que os conspiradores (Melisandre, Mance e Stannis) sabiam sobre o casamento antes mesmo de os anúncios terem sido enviados.
NOTA: Alternativamente, eles poderiam ter ficado sabendo através do serviço de “inteligência” de Arnolf Karstark.
Agora, aqui está o detalhe importante: eles não sabiam onde o casamento seria realizado.

As hipóteses

Isso nos traz às minhas hipóteses:
  1. Mance foi deixado para trás porque o local do casamento não fora confirmado ou era desconhecido.
  2. Arranjos foram feitos para que Mance fosse rapidamente informado do local do casamento assim que fosse conhecido.
Isso é bastante convincente quando você pensa a respeito. Mance precisaria estar em um lugar que pudesse receber mensagens para saber o local do casamento. Se ele estivesse viajando com um exército, não teria sido capaz de obter essa informação em tempo hábil.
Além disso, permite que ele viaje como uma 'unidade' à parte dos exércitos de Stannis.
Claro, essa hipótese não seria nada sem evidências e raciocínio válido.
O LOCAL É A CHAVE
A descoberta do local do casamento é simples. Explicar alguns dos detalhes do pano de fundo não é.
Pressão do Grupo
Pra começar, Jon recebe um 'anúncio de casamento' de Ramsay (ADWD, Jon VI) . Ele lê na presença de Mance (disfarçado de Camisa de Chocalho) e até lê o conteúdo em voz alta. Ele diz especificamente que o casamento será em Vila Acidentada.
Jon não conta a ninguém sobre esta carta ou seu conteúdo, mas Melisandre o confronta naquela mesma noite, tentando obter sua permissão para 'salvar sua irmã'. Só podemos supor que Mance contou a ela sobre a carta e foi isso que a levou a se aproximar, principalmente quando você nota que Melisandre não falava em privado com Jon desde o início do livro.
A observação é clara:
Já posso ouvir suas perguntas e objeções:
Não é um tanto presunçoso pensar que Mance iria apenas coincidentemente descobrir a localização do casamento ao ouvi-lo por acaso de Jon?
Parece improvável ou ao menos pouco seguro supor que um 'convite de casamento' seria enviado a Castelo Negro.
* * *
Escalando janelas
Tenho certeza de que Mance descobriria o local do casamento pelas cartas de Jon de uma forma ou de outra.
Acredito que ele planejava descobrir o local do casamento escalando os aposentos de Jon e lendo as cartas deixadas em sua mesa. Foi um acaso Mance ter ouvido Jon lendo a carta.
Mance até sugere isso de uma forma indireta:
– Eu poderia visitar você tão facilmente, meu senhor. Aqueles guardas em sua porta são uma piada de mau gosto. Um homem que escalou a Muralha meia centena de vezes pode subir em uma janela com bastante facilidade. Mas o que de bom viria de sua morte? Os corvos apenas escolheriam alguém pior.
(ADWD, Melisandre)
Ele basicamente diz que se ele escalasse a janela de Jon não seria para matá-lo.
* * *
É claro que isso não é uma prova concreta. Mas lembre-se de que as evidências até agora indicam fortemente que Mance, Melisandre e Stannis estavam em conluio. É quase óbvio que a carta de Jon foi o que motivou a “missão” de Melisandre e Mance.
Se Jon não tivesse lido a carta em voz alta, Mance teria sido obrigado a lê-la por algum outro meio . E a única maneira viável de fazer isso seria subir em sua janela.

UM CONVITE IMPROVÁVEL

Como demonstrei, a ideia de que Mance pudesse esperar por um convite (ou similar) contendo o local do casamento parece carregada de incerteza.
Abordei a logística de como Mance ficaria sabendo do local do casamento. Mas depende da certeza de que Jon receberia um convite em primeiro lugar: uma suposição bastante duvidosa.
Por que os Boltons enviariam um convite para Jon?
Por que Stannis, Mance e os demais estariam tão certos de que Jon receberia um?
Isso não faz sentido
Quando você pensa sobre isso, realmente não faz sentido enviar um convite para o casamento a Jon:
No entanto, apesar de todos os motivos para não fazê-lo, Jon recebe um convite.
Por quê?
O convite de Jon nem mesmo faz sentido por causa de uma passagem específica nele:
Jon não viu motivo para não contar.
– Fosso Cailin caiu. Os cadáveres esfolados dos homens de ferro foram pregados em postes ao longo da estrada do rei. Roose Bolton convoca todos os senhores leais para Vila Acidentada, para confirmar a lealdade ao Trono de Ferro e celebrar o casamento de seu filho com... – seu coração pareceu parar por um momento.
(ADWD, Jon VI)
Jon não é um lorde (sim, ele é Lorde Comandante, mas não é a mesma coisa), nem sua lealdade é relevante para seu trabalho.
Caro Senhor ou Dama
Se você der um passo para trás e refletir bem, a carta parece que poderia ter sido endereçada a outra pessoa.
Além disso, a carta foi escrita com sangue, e o sangue está descascando:
A tinta marrom se desfez em pedaços quando Jon passou o polegar sobre ela.
(ADWD, Jon VI)
Asha recebe uma carta semelhante, também escrita com sangue. O sangue não está descascando no dela.
Isso sugere que a carta de Jon talvez seja mais antiga.
Isso nos leva à minha teoria:
Mors Crowfood encaminhou seu convite para Jon.
Está claro tanto em A Dança dos Dragões quanto nos capítulos liberados de Os Ventos do Inverno que Mors estava conspirando com Mance em Winterfell. Eu exploro e sintetizo o relacionamento deles no próximo ensaio, Uma Aliança de Gigantes e Reis.
Mors estava aparentemente tão envolvido na missão de Mance quanto qualquer outra pessoa.
Faz sentido que ele encaminhe seu convite com base no fato de que ele sabe que é o que Mance precisa.
Nenhuma outra explicação viável parece estar disponível, pelo menos nenhuma que faça tanto sentido.
Tendo explicado a logística por trás do que desencadeou a missão de Mance, podemos passar aos detalhes da jornada de Mance a Vila Acidentada.

O BARDO DE VILA ACIDENTADA

O convite de casamento original recebido por Jon indicava que o casamento seria em Vila Acidentada, mas não vemos Mance / Abel até que Theon chegue em Winterfell.
Então o que aconteceu?
Mance viajou diretamente para Winterfell? Ou para Vila Acidentada*?*
Colocando de forma clara, Mance viajou primeiro para Vila Acidentada. Isso não é apenas coerente com a teoria montada até agora, mas dá sentido a algumas coisas.
Cavalos Velozes
Primeiro, Mance pede especificamente bons cavalos:
– Precisarei de cavalos. Meia dúzia dos bons. E isso não é algo que eu possa fazer sozinho. Algumas das esposas de lança encurraladas na Vila Toupeira devem servir. Mulheres podem ser melhores para isso. A garota vai confiar mais nelas, e elas me ajudarão com certo estratagema que tenho em mente.
(ADWD, Melisandre)
Ele poderia ter pedido simplesmente cavalos sem precisar esclarecer os que são bons. Essa pequena adição implica que ele planeja uma cavalgada com afinco.
Uma janela de oportunidade
Em segundo lugar, há uma quantidade considerável de tempo disponível para Mance e suas esposas fazerem a viagem:
Os homens haviam estado dezesseis dias na caçada […].
(ADWD, Fedor III)
Isso se refere à quantidade de tempo que Ramsay gastou rastreando os Freys desaparecidos. Isso significa que os convites já foram enviados há algum tempo. Havia três semanas ou mais para Mance fazer a viagem.
Uma pista sutil
Por todas as aparências externas, no entanto, não há evidências de que Mance realmente tenha chegado a Vila Acidentada.
Ou será que existe?
Há um trecho sutil e facilmente esquecido que poderia ser o murmúrio de uma pista. Quando Theon e Roose Bolton estão cavalgando por Vila Acidentada, Theon faz a seguinte observação:
Passaram por um estábulo e por uma pousada fechada, com um feixe de trigo pintado na placa. Fedor ouviu música através das janelas.
(ADWD, Fedor III)
Esta é uma pousada entre o salão de Harwood Stout e o da Senhora Dustin em Vila Acidentada. A música indica que algum menestrel ou trupe de menestréis deve estar tocando. Não há indicação de que haja homens Frey ou Manderly na vila (provavelmente acampados fora do perímetro da vila). Em qualquer caso, este é o tipo de pousada que você suspeitaria que os viajantes frequentassem. Além disso, os estábulos também são atraentes, visto que Mance estava viajando a cavalo.
Uma vez que sabemos que Mance partiu para Vila Acidentada e sabemos que ele teve tempo suficiente para fazer a viagem, devemos concluir que ele está em algum lugar por lá. Para ele em particular, faz bastante sentido chegar cedo por vários motivos:
Deve-se observar que, mesmo que você discorde que a citação significa que Mance está naquela taverna, temos todos os motivos para acreditar que Mance teria visitado Vila Acidentada. E com isso em mente, suas opções ainda seriam as mesmas descritas aqui.

COLETA DE INFORMAÇÕES

Observando o conhecimento a que Mance está exposto em Vila Acidentada, devemos ser capazes de estimar que tipo de conhecimento ou inteligência ele pode ter reunido.
Despensa Stout
Bem, uma coisa que quase certamente pode haver rumores em Vila Acidentada é que Harwood Stout está ficando sem comida por causa da gula de Ramsay. O texto ainda aponta que esses fatos estão sendo revelados pelos próprios servos de Stout:
Seu anfitrião, um grisalho senhor menor de um braço só, chamado Harwood Stout, sabia que era melhor não negar seu pedido, embora suas despensas devessem estar bem perto de se esvaziar. Fedor ouvira os servos de Stout murmurando sobre como o Bastardo e seus homens estavam comendo todo o estoque de inverno.
– Ele vai se casar com a filhinha de Lorde Eddard, dizem – a cozinheira de Stout reclamou, sem perceber que Fedor estava ouvindo –, mas é a gente que ele vai foder quando a neve começar, escrevam minhas palavras.
(ADWD, Fedor III)
Portanto, isso indicaria que Stout está ciente de um futuro sombrio para sua casa, sua família, seu povo - a menos que ele possa encontrar reabastecimento em algum lugar. Sabemos que Ramsay tem abusado de seu anfitrião de outras maneiras, como permitir que seus cães matem os cães de Stout. É muito provável que Stout odeie Ramsay.
O valor de tal inteligência não é claro, mas ainda é uma parcela de conhecimento que pode ser útil mais tarde.
Ódio de Dustin
O simples fato de que Ramsay está hospedado no salão de Stout já revela muito sobre política. Lembre-se de que Mance estava presente no conselho de guerra de Stannis (ADWD, Jon IV), onde Jon apontou que os Dustins e Ryswells estavam ligados aos Boltons pelo casamento.
A observação de que Ramsay não é bem-vindo no salão da Senhora Dustin sugere fortemente que sua lealdade a Roose Bolton não se estende ao próprio Ramsay. Outro fato útil.
Os Freys Desaparecidos
Ramsay diz que perguntou sobre os Freys desaparecidos em cada aldeia e fortaleza que eles encontraram.
Seria razoável que Mance soubesse disso no caminho para Vila Acidentada, ou que o boato estivesse circulando quando ele chegou à pousada em Vila Acidentada.
***
Como você pode ver, isso dá a Mance uma vantagem em diferentes maneiras de explorar as várias tensões dentro das forças de Bolton.
Em particular, ele sabe que os Freys e Manderlys têm objetivos opostos, e que Stout e Dustin desprezam Ramsay.

CONCLUSÕES

Sabemos que o casamento de Ramsay foi transferido para Winterfell. Também sabemos que Mance também foi para Winterfell e se infiltrou se passando por um trovador viajante e sua “família".
No entanto, este olhar sobre as atividades de Mance em Vila Acidentada mostra que ele teve uma compreensão muito boa da dinâmica da política em jogo antes mesmo de chegar, conhecendo como colocar as casas umas contra as outras.
Também é possível (mas não confirmado) que Mance pode até mesmo ter feito um acordo com um dos senhores presentes em Vila Acidentada naquela época.
***
Esta entrada no Mannifesto nos diz tudo o que acontece a Mance antes de chegar a Winterfell, exceto por uma questão gritante:
Mance encontrou Mors “Crowfood” Umber em seu caminho até Vila Acidentada
O encontro desses dois idealizadores é fundamental para os planos de Mance em Winterfell. A razão de eu atrasar a discussão sobre Mors Crowfood é porque é mais fácil entender os argumentos que vou apresentar se eu os relacionar aos vários eventos em Winterfell ocorridos depois da chegada de Mance.
Para continuar lendo o Manifesto e aprender sobre a relação entre Mance e Mors, vá para Uma Aliança de Gigantes e Reis.
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2020.07.14 16:30 galoccego Relato de um ex-barman

ESSE RELATO NÃO É MEU, ENCONTREI NO FACE E COMO ACHEI MUITO INTERESSANTE DECIDI TRAZER PARA O REDDIT.
Relato da internet: Parte 1 Já trabalhei como barman e observando bastante a vida dos que estavam do outro lado do balcão, tudo o que já falaram é verdade.
Entradas para as mulheres são sempre cortesias. Os homens pagam caro. E não se enganem achando que as mulheres não pagam a entrada, quem paga são os homens. Se a entrada na noite custa R$ 30,00 pra um homem, a verdade é que é R$ 15,00 masc(a dele). e R$ 15,00 femin(de alguma menina que entrou "free"). Os donos de bares jamais levam prejuízos e nada é de graça. No bar que eu trabalhava, o dono fazia "descontos" para os amigos, e usava esse argumento.
Nos bares sempre tem as bebidas originais bem guardadas, que são destinadas aos Vips. Geralmente, os alfa$. Os ricos chegam, as bebidas de qualidade vão todos para eles, e pegam mulher com o rodo. Já os pobres coitados que não são ricos, consomem bebidas falsificadas e não pegam ninguém.
Nesses lugares, o que mais vi mandar em tudo é o dinheiro. Quanto mais rico o cara for, mais mulher ele consegue. E nunca vi um alfa físico sair ganhando de um rico. A ordem de prevalências pelo que já constatei é:
  1. Ricos.
  2. Caras que tem o shape massa.
O resto nem entra, porque gordos, magrelos, baixos, pobres, etc, só levam prejuízo na balada. Prejuízo financeiro e EMOCIONAL. Quando conseguem alguma coisa, é no final da noite com alguma feínha que foi rejeitada pelos alfas. Quando a balada está terminando, e aquelas meninas que foram rejeitadas pelos alfas estão voltando para casa chateadas com a vida, é onde os zé ninguéns conseguem alguém. A única chance para o cara mediano na balada conseguir alguma coisa, é no fim dela. Pois mesmo uma vilena numa balada se sente uma rainha, e despreza todo mundo, com um ego gigantesco. Elas fazem isso porque se acham dignas apenas dos alfas. Mas quando os alfas as dispensam e a rejeitam porque acharam outra mulher mais atraente, é um tiro bem no meio do ego dela, pois ela passou a festa inteira dispensando os medianos porque se achava digna apenas do alfa, e agora no final ela vai embora sozinha sem ninguém? Aqui é onde o emocional está fragilizado e onde o homem mediano terá mais chances de conseguir alguma coisa com uma menina mediana ou feia. As bonitas, esqueçam. Não tem nem como se você não for alfa.
Se a intenção é pegar mulher, se for ao puteiro gastará bem menos financeiramente, não terá desgaste emocional, e o risco de pegar DST é o mesmo da mulher baladeira. Se brincar, é até menor. Se não for rico, beberá bebidas falsas, terá prejuízo, e saíra com o emocional destruído de lá, achando que o problema do mundo não te aceitar e te enxergar é seu.
Já vi muitos clientes homens medianos, indo pagar sua conta cabisbaixo, sem graças, com dois ou três amigos tudo desanimado porque vão embora sozinhos dentro um carro. E outros fingindo que só foram na balada pra curtir, que embora não tenham pegado ninguém, se divertiram e etc. O que é mito.
E tem um monte de mulher que paga de santinha falando que vai só pra curtir e ver o Dj, ou porque gosta de tal banda e etc, mas vai só pra dar toco. Não gostam de transar, não gostam de beber, não gostam de nada, só de se sentirem poderosas. Até os alfas penam nas mãos dessas mulheres em baladas.
Em baladas, o único que ganha realmente é o dono da boate. Pois ele ganhou um lucro exorbitante nas bebidas que vendeu(porque TODAS as bebidas são compradas a preço de banana, se você paga R$ 250,00 numa garrafa de whisky, pode ter certeza que ela foi comprada por R$60,00 no máximo, e se for falso, R$ 20,00 ou 30,00). Para constatar isso do preço, é bem simples, vá um supermercado e olhe o preço da garrafa. Depois divida ele por 2. E compare com o preço que você pagou na boate. No bar que trabalhei, compravam latinhas de Antartica por R$ 1,45 no próprio supermercado, e revendiam a R$ 5,50. Quando compravamos direto da Ambev, havia longneck que pagamos 0,90c a unidade, e revendiamos a R$ 6,00 ou R$ 7,00. O dono sempre tem mulher no pé dele, e mulher top. Ele nunca fica "desamparado sexualmente". O status do cara de ser dono de uma boate, desbanca todos os alfas.
Na minha opinião boate é um prejuízo de todas as formas possíveis, exceto para o dono. Mesmo para os alfas e ricos, é um prejuízo tanto financeiro como emocional. Pois você continua pagando pra comer a menina e se desgatando emocional fingindo interesse, competindo com outros machos e etc., mas eles não ligam, né?
Parte 2 Baladas é tanto o puteiro para mulheres, como disseram, como também é armadilha para bobos. É bom mostrar os outros aspectos que prejudica o homem, não sendo só as mulheres, para que possam ficar alertas. Todos os panfletos, as propagandas, as pulseiras de camarote, os copos e bonés e outros brindes... Tudo isso é friamente pensado pelos organizadores da festa para vender uma ilusão enorme, de tal forma que faça o nerd jogador de minecraft sentir vontade de sair de casa e ir lá e gastar seu dinheiro achando que vai se dar bem, de fazer a mais alta piranha sonhar que vai encontrar o Eike Batista dela lá dentro. Observem bem na cidade de vocês como são as propagandas, se você esquecer seu bom senso um pouquinho, você vai cair no conto de que balada é o melhor lugar para ir e ser feliz.
Por trás dos autofalantes, dos graves, do neon, daquelas pessoas fingindo ser felizes, está um máquina pronta pra sugar seu dinheiro. A intenção é sempre pegar o dinheiro do homem. É por isso que eles também lotam de mulheres, quanto mais cheio de mulher um lugar estiver, mais homem disposto a perder tudo o que tem. Mulheres são as iscas, a massa de manobra, para juntar homens fracos emocionalmente e sugarem seu dinheiro. Em uma análise bronca, pode-se dizer que boate é uma das coisas mais anti-homem já criadas. Porque ela nunca prejudica as mulheres de fato, somente homens. Pois mesmo as mulheres sendo apenas iscas, elas ganham emocionalmente e ganham a chance de encontrar um bobo para ser provedor (e acreditem, tem muito playboy que assume uma bomba dessa).
E depois que o camarada entra lá dentro, ele vai ser vampirizado financeiramente o quando puder. A vampirização emocional é só a consequência de ser bobo. Eu mesmo comprava maços de Carlton por R$ 6,50, e vendia cada cigarro picado por R$ 2,00. Eu ganhava em torno de R$ 30,00 por maço, pois na boate não era permitido vender e fumar, mas o cigarro é um símbolo de status que todo mundo lá dentro quer, até quem não fuma quer fumar pra poder ser notado, e quem se aproveitar disso... Será que é errado? Não sei. Eu fazia. Sei que quando meus maços acabavam, os caras ficavam tão fissurados que saíam da boate, iam até os postos de combustíveis, compram cigarro e voltavam. Só pra poder senta na mesa fumando. E a mesma lógica vale também as drogas ilicitas (que eu não vendia, mas quem vendia ganhava uma puta grana).
O ambiente geralmente é tão baixo, que as pessoas que estão no camarote, com pulserinha e copo estilizados por exemplo, esnobam as pessoas que estão na pista. Mulher então? Elas faziam questão de mostrar que são apenas para os vips lá de cima. As mulheres quando sobem para os andares superiores, elas se sentem como verdadeiras deusas. E falo isso porque, eu trabalhei no bar de camarote, e minha função era apenas preparar coqueteis e servir bebidas, nada mais e também não abria nenhuma exceção pra favorzinho. E ouvia muitos sapos de mulheres dizendo que estudam medicina ou direito, que estavam acompanhadas de fulano de tal, que eu tinha que fazer o que eles mandavam... E eu nunca fazia. Só me restringia ao bar. Já tive que chamar segurança pra me defender porque os ricões, além de bobos, ainda queriam pagar de machões e iam lá tirar satisfação do porque não levei algo para a mesa deles etc, sendo que tinha garçom pra isso. Alias, os garçons... Pobres coitados! Eram o que mais sofriam. Raramente eu trabalhei com o mesmo garçom por mais de dois meses, eles não aguentam. Eles chegam na mesa e são ridicularizados, pelos homens que querem bancar os machoes e pelas mulheres que sentem poderosas. É realmente um trabalho de cão. A maioria dos garçons(e barmans) eram estudantes, caras feios, magros, precisavam de um dinheiro extra, e faziam esses bicos. E quando topavam de servir uma mesa cheio de caras ricos, mulheres bonitas e etc... Puts. Dava dó. Eram motivo de piadas. Você via nitidamente o emocional dos caras destruídos. Tinha que ter um emocional muito forte pra aguentar aquilo sem esmorecer. As mulheres sentiam um prazer enorme em ver outros caras pisando no pobre coitado que estava servindo elas, elas se sentiam, de verdade, deusas. Eu aposto que elas gozavam quando debochavam dos outros.
E, também, boate é um ambiente muito inseguro. Além das brigas constantes que sempre acontecem, quase dono nenhum gasta dinheiro investindo na segurança da infraestrutura, porque eles pensam que nunca vai acontecer nada na boate deles.
Parte3
Sobre DSTs, era prache eu ouvir comentários de fulanas e ciclanas que tinham herpes na xota. Com tempo você vai pegando amizade com alguns caras, seguranças, e as fofocas correm. Mulheres bonitas, que só frequentam camarote e só andam com os ricões e esnobavam todo mundo, tinham histórias muito cabulosas. Tinha menina que eles falavam pra não deixar ela nem fazer boquete porque senão o pau pegava carie. Meninas que todo matrixiano JAMAIS pensaria que fosse tão nojenta. E são essas meninas que vão se casar aos 30 anos com um bobo matrixiano que jamais vai saber do passado negro dela. Já vi alguns casais por aqui, um cara gente fina, que mal saia de casa, junto com uma menina que era verdadeiro carrapato de boate. E quando elas reconhecem a gente na rua, abaixam os olhos, ficam com medo da gente ser amigo do namorado dela e contar as coisas que viamos.
Mals o textão. Mas pra quem teve saco e quis ler, fica o relato. Se eu contar todas as histórias escabrosas que já vi e ouvi, do que a gente faz nas boates com as bebidas, enfim, é de doer os olhos. Mas tem gente que apanha e apanha e continua indo. Tenho amigos que diz que exagero muito, que eu sou revoltado e etc. Mas, as pessoas são como animais criados pro abate, são influenciados pela propaganda, sempre vão, se dão mal, passam mal, mas acordam no outro dia crente que o próximo final de semana será diferente. Enquanto isso vão só perdendo dinheiro e tempo.
Eu não recomendo o cara nem ir a um pub bem light. Embora não sejam um ambiente tão fútil e banal como é a boate, acontecem as mesmas coisas, mas apenas em menor escala e mais discretamente. Se a intenção é beber com os amigos, descontrair e relaxar, é melhor queimar uma carne em casa e comprar bebidas por conta, por exemplo. Pelo menos é minha opinião. Para conhecer mulheres: não faça isso, meu amigo. É tiro no pé.
Talvez alguém pense que essas coisas são exageros, mas é a minha conclusão da minha experiência pessoal enquanto fiz bicos de barman. E quando falo barman, esqueçam aquele esteriotipo de cara fortão, bonito que usa uma gravata borboleta no pescoço, na maioria dos casos é só gente normal fazendo bico. Esses "showmans" são outra parte da história que tem bastante privilégios por serem alfas. Eu não fazia parte dessa categoria. Pra eles as boates devem ser boas. Não era para mim porque eu sou um cara normal, e talvez por isso até pareça um butthurt. Mas é só um relato que espero que sirva de alerta. Hehe
Parte 4 Obrigado pelas boas vindas, pessoal!
Então... Sobre as histórias cabulosas, vou começar contando as profissionais. Claro que existe boates exceções assim como mulheres (será? ), mas... Enfim. Eu também não trabalhei em clubes de tão alto padrão assim, quando eu falo que era clubes pra quem tinha dinheiro, é porque as coisas eram muito caras. Mas, não é nada comparado a uma boate grande e famosa. hehe
Começando pelas bebidas, coisas que barmans geralmente são obrigados a fazer:
- A maioria das pessoas não bebem as cervejas completamente, pois elas esquentam rápido na mão, e sempre volta pro bar ou fica espalhado pelo lugar longnecks pela metade. No final da festa, alguns barmans despejam toda essa sobra de cerveja num balde, enfileira as longnecks e coloca funis nos gargalos, e sai enchendo elas tudo novamente. Depois colocam a tampinha e botam pra gelar. As cervejas, lógicamente, vão ficar chocas. Por isso só devem começar a servidas após 2h da manhã, por exemplo. Onde a maioria já se encontra bêbada e qualquer coisa que consumir está gostoso. Como os barmans, por cortesia, sempre abrem as longnecks para os clientes, eles nunca desconfiam das tampas frouxas. Não fiz muito isso, mas já trabalhei em um local e uma festa ao ar livre que fez. Não era prática diária comigo.
- Os sucos naturais, não são naturais. Muita gente pagava o preço por um coquetel feito com o suco da laranja exprimida na hora, mas tudo era somente suco de saquinho(tang ou o mais barato que tiver) batido no liquidificador. Ele fica consistente e espumoso como um suco da fruta. Restaurantes também fazem essa jogada. Um copo de suco "natural" de 200ml era R$ 4,50, por exemplo. O saquinho tang que fazia 1l no liquidificador era 1 e pouco.
- As tequilas sempre saíam em dose, e as garrafas sempre ficam com o barman. Reaproveitamos sempre a mesma garrafa, enchíamos ela um pouco menos da metade de whisky vagabundo ou falsificado, e completávamos com pinga vagabunda. Sacudiamos e vu a la! Tinhamos uma tequila ouro José Cuervo. Como a maioria das pessoas não conhece gosto de nada, pagam R$ 15,00 numa dose de 50ml que custou apenas, no máximo, R$ 5,00 pra fazer. E pior: muitos ainda elogiavam. xD
- Tinhamos um tónel, que se dizia vender cachaça artesanal. Cada dose de 50ml era R$ 6,00. Mas sabe o que tinha lá dentro? Pinga barata de R$ 3,00 o litro. Aquelas 51, 21, 31...
- Os whiskys que servíamos no bar, sempre eram tretas. Muitas vezes a gente fazia aquele lance de encher a garrafa de coca-cola com whisky barato e acoplar ela na boca de uma garrafa de Red Label e mandar o o whisky vagabundo pra lá. Essas geralmente são as que ficam penduradas no dosador de garrafa invertido. Numa festa com umas 3 ou 4 caixas de whisky, tinha no máximo 3 ou 4 garrafas realmente originais, guardadas para os magnatas.
- Quase sempre a gente recebia ordens pra marcar coisa a mais na comada do cliente, se ele parecesse que estivesse muito bêbado. Quando eles iam pagar, sempre ficavam muito putos com as meninas que trabalhavam no caixa, mas, então o gerente jogava aquela onda de que ele emprestou a comanda pra alguma mulher, que ele não lembra, se a coisa aperta muito já vinhas os seguranças intimidar, no final o cara sempre pagava. Não tinha jeito.
- As porções nunca jogavam fora. Já vi cozinheira tirando cinzas de cigarro de um resto de porção de batata e guardando as batatas pra usar com outra pessoa que comprava porção.
Tomem bastante cuidado, porque vocês nunca vão saber o que realmente estão consumindo. Isso não vale só pra boate, vale pra restaurante, lanchonete, casa da vó etc.
Também existia alguns esquemas de lavagem de dinheiro, eu não sabia muito sobre isso, só ouvia a respeito. Mas alguns eventos em fazendas particulares, reunia bastante magnata e alguns amigos afirmavam que rolava um esquema de lavar dinheiro tenebroso. E que muitas boates são usadas pra isso. Sobre isso não posso afirmar com certeza, isso foi só um boato que eu ouvia e acreditava, por tudo o que eu já presenciei lá.
Para atrair homens para festa, o promoter dava brindes, cortesias e até dinheiro pra algum grupo de meninas fazer volume na porta da boate. Já dava as instruções para elas irem super maquiadas, roupas curtas e ficarem bem visíveis. A panfletagem nas ruas e nas faculdades, era sempre feito por meninas bonitas e com roupas curtas. O próprio promoter que cuidava da casa, fazia uma propaganda ferrenha no Facebook. Pra cada 5 mulheres que ele marcava no post, ele marcava 1 homem, por exemplo. E pedia pras meninas confirmarem presença no evento divulgado no Facebook. Tudo isso pra dar a impressão que naquela festa tem mais mulher do que homem.
Parte 5 Então, o homem escravogina, solitário e carente, via aquele harém pela baguetala de R$ 30,00 o ingresso... Era casa cheia na certa. Uma vez lá dentro, o cara até parcela a consumação no cartão de crédito. A maior dificuldade é sempre fazer o homem entrar na boate, porque depois que está lá dentro, já era.
Um pouco do lado obscuro:
As mulheres nunca me cantaram no balcão com um real interesse em mim. Geralmente, aparecia uma mediana que estava de favor na festa, jogar um charme pra tentar descolar um drink de graça. Como eu não dava, saíam nervosas e davam chiliques. Mas alguns colegas davam, e só ganhavam um sorrisinho de volta e a menina nem voltava mais no bar, senão pra tentar pegar outro drink na faixa. Mas para meus colegas, aquele sorrisinho era sinônimo de um casamento. kkkkk
Elas sempre pediam para o acompanhante delas levantar e buscar bebida no bar, jamais ela ia sozinha ou ia junto com ele. E nesses momentos, esses prazos de 5 e 10 min, é onde ela flertava com muitos outros homens. O cara saia da mesa para buscar mais bebida para ela, e ela levava aquelas bulinadas do cafa de leve, pra elas era como se estivessem numa sauna greco-romana.
Banheiro de deficiente físico sempre foi usado como quarto de sexo. Isso era unânime em todas casas que trabalhei e eventos que fiz, era só jogar um "café" na mão do segurança, que o próprio segurança vigiava a porta pra não deixar ninguém interromper a trepada. Aqui era onde muito cara com físico bom e pouca grana, algumas vezes ganhava a noite. Ele não precisava de carro, nem de levar no motel, nem nada, torava a menina na lá no banheiro e só dava uma gorjeta pro segurança. Havia vezes que garotas de programas trabalhavam discretamente nos eventos, em parceria com os seguranças. Elas davam uma grana pra eles, e ela fazia o trabalho. A mesma menina, que nem parecia puta, ás vezes transava com 3 ou 4 cara na mesma noite, sem ninguém nem desconfiar que rolava uma fita dessa lá dentro. Mas como nada fica discreto pra sempre, começou querer haver CONCORRÊNCIA, outras meninas também queriam, e aí começou virar bagunça até que o dono deu um jeito de cortar ameaçando os seguranças de demissão.
Muita gente FINGIA ficar bêbada pra ter desculpas para fazer merda. Isso eu via muito, e a maioria sempre era mulheres. Elas subiam na mesa, faziam danças sensuais, ligavam para ex, pegava no pinto do caras, traiam os namorados, enfim, fingindo completamente que estavam bêbadas. Eu sabia que era fingimento, porque eu tinha um certo controle de quem bebia no bar, dava pra saber o quanto a pessoa consumiu e tinha menina que tomava duas cervejas e começava a fazer merdas, só pra ter um monte de cara endeusando elas e poder fazer uma putaria "sem culpa". E quem fica bêbado com duas cervejas? Mas tinha muito idiota que caía.
Certa vez, trabalhei em um evento que veio uma Dj que era da Espanha, senão me engano. Não lembro o nome, mas era uma menina baixinha com trejeitos de sapatão, cabelos raspados do lado e tranças onde tinha cabelo. Quem é mais ligado em música eletrônica deve saber o nome, eu não lembro. (Ela é aquele tipo de dj desconhecido no país onde mora, mas quando vem pro Brasil, faz sucesso, porque brasileiro é lambe-saco de gringo.) Eu sei que foi um evento que todo mundo quis ir, mas o lugar estava lotado, ingressos caros e etc. Havia uma menina que estava lá dentro, mas queria passar mais cinco amigas pra dentro da festa na faixa. O segurança não deixava. Até que uma delas ofereceu um boquete pra ele. Não foi nem o cara que pediu. A própria menina ofereceu. Obviamente, ele não recusou. Deram um jeito de ir pro estacionamento da fazenda e mandou ver. Entrou as cincos. Depois vi essa mesma menina beijando um playboy na mesma festa, o que me embrulhou o estômago. E com o tempo, ela foi ganhando fama de boqueteira entre os seguranças, então toda festa grande, os caras quase saiam no tapa pra decidir quem ia ficar na portaria, porque já sabiam que ela ia aparecer por ali. Afinal, ela não tinha grana e não tinha jeito de entrar, mas queria estar no meio dos playboys. E ela virou figurinha marcada mas depois sumiu. Um belo dia, num pubzinho, eu tava na porta conversando com os seguranças, ela me desce do carro de mãos dadas com um playboy. O segurança cumprimentou ela, e ela fingiu que não conhecia(sendo que ela tinha um passado negro com ele). Cumprimentou apenas o dono do pub e falou que agora estava noiva do fulano de tal. O cara tinha grana, a julgar pelo carro que ele tinha na época. E depois nunca mais víamos ela nas festa, e quando ia, ia acompanhada dele.
Que fique claro que não estou querendo criar ódio por boates, é só um relato do que vivenciei. O cara que quiser ir, não se prenda no que eu falo não, só fique atento. Hehe
Parte 6 Fico feliz em saber que tem alguma utilidade minhas observações. É impressionante o que você enxerga por trás das coisas somente observando. Nem precisa ser clarividente. hehe
Com o decorrer do tempo vou dando um up aqui com as histórias banais.
Mas acho que o mais importante que eu queria ter compartilhado com vocês a respeito das boates, era a questão de como fraudávamos bebidas. Porque isso é algo que prejudica a saúde dos consumidores a longo prazo, e além de pagar caro por algo que você nem sabe o que é. É algo que me arrependo de ter feito, embora fosse meu trabalho, então eu sempre tento alertar as pessoas que vão em boates para ficar espertas nesse sentido.
As histórias das perícias femininas são coisas bem baixas, praticamente histórias de filmes pornôs. Mas nada diferente do que acontece fora da boate, também.
Eu achava mais interessante o comportamento masculino do que o feminino, e aprendi muito observando caras que estavam caídos, usando a tal lógica reversa. Por exemplo, nas festas acontecem muitas frustrações, e na minha condição de barman, muitas vezes acabávamos fazendo um papel de ouvinte e psicólogo. Muitos homens bebem para amenizar as dores, e quando encontram alguém para ouvir os problemas deles, os caras desabam. Geralmente, esse alguém é o barman, o garçom... Ninguém do outro lado do balcão, nem os próprios amigos do cara, o acolhem nesse momento. E aqui vivenciei muitas situações constrangedoras, de caras enormes de tamanho, chorando feitos beberrões na minha frente. Era engraçado, porque eu sou um cara pequeno e mais duro emocionalmente do que eles(que em teoria, pareciam ser os caras mais frios do mundo) . hehe
Eu não podia fazer muita coisa a não ser ouvir e guardar aquelas histórias como experiências. Eu praticamente nunca consegui ajudar nenhum cliente. Todos eles queriam ouvir que a esposa era exceção, que mesmo traídos deveriam dar segunda chance, que ele era o errado da história, etc. Nenhum aceitava qualquer ponto de vista diferente em que a sua companheira fosse uma pessoa ruim. E ás vezes, discutiam comigo defendendo a esposa após eu aplicar pequenas injeções de real. Mas com tempo percebi que era inútil tentar salvar alguém, porque existe homens que se acomodaram a viver numa lama emocional que tem até medo de sair dali. Eu no máximo consegui algumas amizades, que me ajudaram depois a arranjar outro emprego melhor, mas, os caras infelizmente vivem a mesma vida que levavam, com migalhas emocionais, dores profundas e um depressão que eles tentam abafar com bebida, gerando lucro pra alguém que se aproveita da fraqueza emocional desses mesmo caras.
Acho que se o cara assimilou bem a real, é esperto, tem uma grana pra gastar que não vai fazer falta, tem problema nenhuma ir em boate. O único problema que vi mesmo é o cara pobre que se endivida achando que vai ter sexo fácil ou o ingenuo que vai achando que vai encontrara mulher da vida dele lá.
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2020.06.15 04:52 altovaliriano Shae (Parte 3)

Uma prostituta aprende a ver o homem, não seu traje, caso contrário acaba morta numa viela.
(ACOK, Tyrion X)
Martin começa a trajetória de Tyrion em A Tormenta de Espadas já estabelecendo o destino de Shae. Tywin e Tyrion estão discutindo sobre a sucessão de Rochedo Casterly quando entram no assunto sobre Alayaya, Tysha e Shae. Curiosamente a pergunta parte do próprio Tywin:
E aquela seguidora de acampamentos no Ramo Verde?
Que importa? – perguntou, sem querer nem mesmo proferir o nome de Shae em sua presença.
Não importa. Não mais do que me importa que elas vivam ou morram.
(ASOS, Tyrion I)
Como sabemos pelo último capítulo, Tywin se importa, sim. Shae aparece no julgamento testemunhando contra Tyrion e falando de estar com ele desde Ramo Verde, um detalhe que dificilmente escaparia a Tywin. Além disso, nesta primeira conversa, o pai de Tyrion completa com uma sentença interessante:
E não tenha ilusões: esta foi a última vez que tolerei que trouxesse vergonha à Casa Lannister. Acabaram-se as putas. A próxima que encontrar em sua cama, vou enforcar.
(ASOS, Tyrion I)
E interessante que Tywin tenha ameado enforcar Shae se a encontra-se na cama de Tyrion, pois, como o verbete sobre Shae na Wiki Gelo e Fogo sinaliza, Tyrion fez exatamente isso com Shae quando a encontra na cama do pai em seu último capítulo do livro.
A primeira vez que vimos Shae foi em um encontro no quarto de Varys, à pedido (e insistência) de Tyrion. O anão havia determinado que usaria este encontro para dar um fim na relação com Shae, em decorrência das ameaças do pai, especialmente depois que Tywin citou explicitamente a “seguidora de acampamentos no Ramo Verde” logo no capítulo anterior.
O encontro parece ser um encontro típico entre os dois, exceto que há nas duas partes desejos ocultos. Tyrion quer tirar Shae da corte e Shae deseja exatamente o contrário. Quando Tyrion aborda o assunto de maneira direta, a garota troca imediatamente de assunto, procurando massagear o ego do anão:
Shae – disse –, querida, esta tem de ser a última vez que ficamos juntos. O perigo é grande demais. Se o senhor meu pai encontrá-la...
Gosto da sua cicatriz. – A moça percorreu-a com um dedo. – Faz com que pareça muito feroz e forte. [...] O senhor nunca será feio aos meus olhos. – Ela beijou a escara que cobria os restos destroçados do seu nariz.
(ASOS, Tyrion II)
Shae insiste em não dar ouvidos a Tyrion durante toda a conversa, se limitando a tentar manipulá-lo a deixar ficar na capital. Toda aquela compaixão pelo novo ferimento adquirido de Tyrion não contém qualquer coerência, porque a garota continua tão inescrupulosa e insensível quanto era em A Fúria dos Reis. Sua maior preocupação ainda são bens materiais e sua falta de empatia por Lollys Stokeworth ainda é gritante:
[…] O senhor vai me devolver agora as joias e as sedas? Perguntei a Varys se ele podia me dá-las quando você foi ferido na batalha, mas ele não quis. Que teria acontecido com elas se tivesse morrido? [...]
Posso ir ao banquete de casamento do rei? A Lollys não quer ir. Disse-lhe que ninguém deverá estuprá-la na sala do trono do rei, mas ela é tão burra.
(ASOS, Tyrion II)
Entretanto, nem tudo é repetição nessas frases arrogantes de Shae. No meio de tudo, há uma pequeno trecho de diálogo de importância futura. Quando Tyrion tenta fazer com que a prostituta compreenda o perigo que Tywin oferece à vida dela, a garota apenas responde “Ele não me assusta”.
Esta simples sentença revela que GRRM estava sutilmente costurando elementos nesta primeira conversa que seriam trazidos de volta novamente na última cena de Tyrion e Shae juntos. Quando a garota o vê nos aposentos do pai, ela se assusta e começa a disparar justificativas. Entre estas justificativas, ela justamente se contradiz dizendo “Por favor. Seu pai assusta-me tanto” (ASOS, Tyrion XI).
Naquele primeiro diálogo, Shae sabia que Tyrion havia perdido seu cargo e, com isso, até mesmo sua permanência como aia de Lollys dependia inteiramente de ela manter seu disfarce. Àquela altura, o anão não tinha mais poderes de lhe arranjar uma nova colocação para ela, e por essa razão a garota sabia que tinha que tentar extrair de Tyrion o máximo que conseguisse.
Com isto em mente, fica claro que GRRM faz da cobrança de promessas antigas uma metáfora visual para Shae tentando segurar Tyrion via dominação sexual. Segundo o próprio Tyrion (ASOS, Tyrion VII), seu pênis era o orgão responsável por fazê-lo agir tolamente frente a manipulação da garota. E é justamente por aí que Shae o está segurando na cena, literalmente:
Não quero sair. O senhor me prometeu que eu voltaria a me mudar para uma mansão depois da batalha. – A boceta dela deu-lhe um pequeno apertão, e ele começou a enrijecer de novo, dentro dela. – Um Lannister sempre paga as suas dívidas, você disse.
(ASOS, Tyrion II)
Ao perceber que não vai conseguir nada por esta via, Shae passa a falar sobre o casamento de Joffrey e elabora um plano para que Tyrion a leve consigo, em troca de favores sexuais durante a festa. Aqui a garota não está mais se valendo da dominância, mas tentando persuadir o anão. Por isso, Shae passa a afagar o órgão sexual ao invés de prendê-lo:
– […] Eu encontraria um lugar em algum canto escuro abaixo do sal, mas sempre que se levantasse para ir à latrina, eu poderia escapulir e ir encontrá-lo. – Envolveu a pica dele nas mãos e afagou-a com suavidade. – Não levaria roupas de baixo sob o vestido, para que o senhor nem precisasse me desatar. – Os dedos dela brincaram com ele, para cima e para baixo. – Ou, se quisesse, podia fazer-lhe isto. – Enfiou-o na boca.
(ASOS, Tyrion II)
Quando Tyrion mostra que está veementemente decidido a que ela não deixá-la ir, Shae se retrai para a cortesia fria. Tyrion está pensando em como concederia facilmente o desejo de Shae, caso o pai não tivesse ameaçado enforcá-la, contrariando o que ele disse em A Fúria dos Reis, sobre o amor por Shae envergonhá-lo:
Se a escolha fosse sua, ela poderia sentar-se a seu lado no banquete de casamento de Joffrey, e dançaria com todos os ursos que quisesse.
(ASOS, Tyrion II)
Eu atribuo essa mudança de postura (de amor proibido envergonhado para amor proibido cauteloso) ao momento de Tyrion, em que ele perdeu todo o prestígio e está tentando se agarrar na única coisa de seu momento glorioso que ainda tem: Shae.
Em verdade, o comportamento de Shae espelha o de Tyrion. Ambos estão tentando arranjar um jeito de manter seu status. O anão também está tentando voltar ao poder pelas vantagens terrenas que ele oferece e não mais para “fazer justiça”. Naquele momento, Tyrion estava sendo a Shae de Tywin, pois está a todo custo tentando reivindicar direitos e reconhecimentos de seu pai.
O surpreendente é que após toda a teimosia de Tyrion, Shae finalmente cede a seu instinto de autopreservação e dá a Tyrion um parágrafo inteiro de resignação e obediência, ao fim do qual Shae apela para o cavalheirismo de Tyrion e lhe arranca uma promessa:
[...] Gostaria de ser a sua senhora, mas não posso. Se fosse, você iria me levar ao banquete. Não importa. Gosto de ser rameira para o senhor, Tyrion. Basta que me mantenha, meu leão, e que me mantenha a salvo.
Manterei – prometeu ele. Tolo, tolo, gritou a sua voz interior. Por que disse isso? Veio aqui para mandá-la embora! Em vez disso, voltou a beijá-la.
(ASOS, Tyrion II)
A prostituta parece entender que o novo momento de Tyrion exige dela uma abordagem diferente. Em suas palavras, de um homem poderoso que poderia desafiar o mundo por ela, ele agora era um cavaleiro que a protegia e resgatava do perigo:
Pensava que o senhor tinha se esquecido de mim. – O vestido dela encontrava-se pendurado em um dente negro quase tão alto quanto ela, e a moça estava em pé dentro das mandíbulas do dragão, nua. […] – O senhor vai me arrancar de dentro das mandíbulas do dragão, eu sei. [...]
Meu gigante – ela ofegou quando a penetrou. – Meu gigante veio me salvar.
(ASOS, Tyrion VII)
Shae veste tão bem a fantasia de donzela que chega a declarar seu amor a Tyrion e Tyrion responde em pensamento. Porém, por alguma ironia do destino, a prostituta estava querendo lhe fazer pensar que ele era um cavaleiro, enquanto o próprio Tyrion queria lhe casar com um cavaleiro de verdade para se ver livre dela:
E eu também a amo, querida. Podia ser uma prostituta, mas merecia mais do que o que ele tinha para dar. Vou casá-la com Sor Tallad. Ele parece ser um homem decente. E alto…
(ASOS, Tyrion VII)
É curioso como este é o único efeito colateral do novo estratagema de Shae. Tyrion fica tão embrigado pela ideia de ser o cavaleiro salvador da garota, que ele tem um momento de desencanto quando a prostituta sequer teme perdê-lo ao saber de seu casamento com Sansa Stark:
[…] Não me importa. Ela é só uma garotinha. Vai deixá-la comuma barrigona e voltar para mim.
Uma parte dele tinha esperado menos indiferença. Tinha esperado, escarneceu amargamente, mas agora sabe como é, anão. Shae é todo o amor que provavelmente terá.
(ASOS, Tyrion IV)
Eu penso que a indiferença de Shae se fundava em ela saber que somente corria perigo se Tyrion arranjasse outra prostituta como amante. Ela estava ciente do quão sexualmente indesejável ele era para a maioria da população de westeros e como ele era complexado com sua aparência e traumatizado com relações amorosas. Portanto, um casamento arranjado com uma jovem nobre donzela realmente não lhe representava perigo algum. Ela até mesmo tenta pedir na frente de Tyrion que Sansa a leve ao casamento de Joffrey, demonstrando que seu objetivo de participar da boa é sua real prioridade.
Porém, não há que se dizer que Shae é uma pessoa desprovidade de sonhos e fantasias. O fato é que esta fantasias não são românticas, mas delírios com mudanças de status social, luxos e riquezas. Quando Sansa a chama para ver uma nuvem no céu que parece um castelo:
É feito de ouro. – Shae tinha cabelos escuros e curtos e olhos ousados. Fazia tudo o que lhe era pedido, mas às vezes dirigia a Sansa os mais insolentes dos olhares. – Um castelo todo feito de ouro, aí está uma coisa que eu gostaria de ver.
(ASOS, Sansa IV)
Ou quando conversava com Sansa sobre Ellaria Sand e a garota apresenta sua versão dos fatos em que Ellaria seria uma espécie de Shae que “deu certo” em razão do relacionamento com Oberyn:
Era quase uma prostituta quando ele a encontrou, senhora – confidenciara a aia – e agora é quase uma princesa.
(ASOS, Sansa IV)
E são suas fantasias por status e luxo que a levam a testemunhar contra Tyrion a pedido de Cersei. O depoimento de Shae acontece logo antes de o anão pedir o julgamento por combate. Dessa forma, tudo o que a garota diz se torna juridicamente irrelevante de uma hora para outra. Essa manobra de Tyrion acaba por fazer com que Cersei se livrasse da obrigação de cumprir sua parte do acordo:
Shae, o nome dela era Shae. A última vez que tinham conversado fora na noite anterior ao julgamento por combate do anão, depois de aquele dornês sorridente ter se oferecido como seu campeão. Shae inquirira acerca de umas joias que Tyrion lhe oferecera, e de certas promessas que Cersei poderia ter feito, uma mansão na cidade e um cavaleiro que a desposasse. A rainha deixara claro que a prostituta não obteria nada até que lhes dissesse para onde fora Sansa Stark.
(AFF, Cersei I)
Interessante notar que o acordo feito por Shae consiste apenas no que Tyrion já tinha em mente em lhe dar.
O depoimento de Shae é uma peça que me chama bastante a atenção. A garota não só conta como Tyrion supostamente teria lhe tomado como amante à força e confidenciado os planos de matar Joffrey durante sua última noite juntos. Shae revela ali, perante Tywin, que era seguidora de acampamento do Ramo Verde:
Nunca quis ser uma prostituta, senhores. Estava noiva. Ele era um escudeiro, um rapaz bom e corajoso, de bom nascimento. Mas o Duende viu-me no Ramo Verde e pôs o rapaz com que meu queria casar na primeira fila da vanguarda, e depois de ele ser morto ordenou aos selvagens que me levassem à sua tenda. Shagga, o grande, e Timett, como olho queimado. Ele disse que se não lhe desse prazer, me entregava a eles, e portanto eu dei. Depois trouxe-me pra cidade, pra ficar por perto quando ele me quisesse. Obrigou-me a fazer coisas tão vergonhosas […]. Ele usou-me de todas as maneiras que há e… costumava me obrigar a dizer como ele era grande. O meu gigante, eu tinha de lhe chamar, o meu gigante de Lannister.
(ASOS, Tyrion X)
Como esta parte do depoimento era completamente desnecessária, eu fico me perguntando se ela foi bolada pela própria Shae, Varys ou Cersei. Sabemos que a garota é capaz de mentir, mas não vimos coisas com este tipo de elaboração. Como Varys é quem estava administrando o disfarce de Shae, fornecendo -lhe até histórias falsas sobre seu passado para que contasse à Tanda Stokeworth, acredito que tenha sido ele quem a orientou a assim depor.
Porém, qualquer seria o objetivo disto? Apenas para ele próprio se safar da acusação de que estava trazendo informações erradas a Cersei, algo que já lhe preocupava (ASOS, Tyrion VII)? Ou Varys queria que o depoimento de Shae chamasse a atenção de Tywin?
De fato, em uma entrevista em 16 de junho de 2014 à Entertainment Weekly, afirmou que a questão entre Varys, Shae, Tyrion e Tywin é algo que ele fará revelações nos próximos livros:
EW: Certo, e há também a questão da surpresa da hipocrisia de Tywin quando ele [Tyrion] a encontra na cama dele. Tywin sabia que ela era uma prostituta [na versão do livro isso não fica claro]? Ou ele simplesmente não ligava?
GRRM: Ah, eu acho que Tywin sabia sobre Shae. Ele provavelmente adivinhou que ela era a seguidora de acampamento que ela havia expressamente dito “você não levará aquela puta para corte”, mas que Tyrion o havia desafiado e levado "aquela puta" à corte. Quanto ao que exatamente ocorreu aqui, é algo sobre o qual não quero falar, porque há aspectos disso que eu não revelei e que serão revelados nos próximos livros. Mas o papel de Varys em tudo isso é algo para se levar em consideração.
Esta entrevista deu fundamentos para que os leitores passassem a acreditar que Varys teria influenciado Tyrion a matar Tywin. Mas, para fins desta análise, nos cabe apenas ver a situação da ótica do que aconteceu com Shae, quem até mesmo pela teoria acima seria um alvo secundário.
Assumindo que Varys tenha orientado Shae a dar este depoimento para chamar a atenção de Tywin, como é que isso a colocaria na Torre da Mão na noite anterior à execução de Tyrion? Sabemos que Cersei mandou Shae embora ás lágrimas na noite entre o depoimento de Shae e o julgamento por combate entre Gregor e Oberyn, então somente depois desta noite é que Shae provavelmente estaria suporte. Caso ela já estivesse sendo sondada por Tywin, dificilmente sairia chorando...
Eu alimento uma teoria que o ponto que fez Tywin se interessar pela garota foi a bajulação que ela confessou fazer a Tyrion. “Meu gigante de Lannister” parece ser o tipo de frase que agradaria um homem como Tywin debaixo dos lençóis. A partir daí, bastaria que Varys fizesse uma sugestão aqui, outra acolá e de repente Tywin já estava pedindo a alguém que enfiasse a menina em seus aposentos na noite seguinte.

Declarações de GRRM sobre Shae

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2020.03.21 05:06 altovaliriano A Grande Conspiração Nortenha - Parte 4

Texto original: https://zincpiccalilli.tumblr.com/post/52918461011
Autores: Vários usuários do Forum of Ice and Fire, mas compilado por Yaede.
Índices de partes traduzidas: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6
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Os muitos prognósticos e especulações loucas nas partes anteriores, na verdade, não são nada comparado ao que se segue. Ao contrário de Jaime, que tem acesso a muitas informações úteis como comandante das forças da coroa nas Terras Fluviais, não há pistas sobre as atividades dos supostos conspiradores nortenhos.
Dentre os POVs no Norte em A Dança dos Dragões, Davos, Theon e Asha não são confiáveis. O primeiro por ser o homem de Stannis, leal e verdadeiro, os dois últimos por serem homens de ferro e prisioneiros. Melisandre tem apenas um capítulo, em que ela não é tão onisciente quanto finge ser. (Rezo por um vislumbre de Azor Ahai, e R'hllor me mostra apenas Snow) E Jon? Bem, se a teoria estiver correta, ele provavelmente será o último a saber, (risadas), pois seus futuros súditos nortenhos não arriscariam por seu novo rei em perigo.
É verdade que os jogadores e jogadas estão tão obscurecidos que talvez seja uma indicação de que a Grande Conspiração do Norte está no caminho certo. Melhor para GRRM poder desvelar dramaticamente a queda catártica dos Lannisters, Boltons e Freys nas mãos dos lealistas Stark quando Os Ventos do Inverno chegar. [...]

O Norte: Os Homens dos Stark

Rastreando os Mormonts e Glovers

Juntar os fios de uma conspiração no Norte é como um jogo elaborado de telefone sem fio. Um extremo da linha está com Galbart Glover e Maege Mormont, que são testemunhas do decreto de Robb de nomear seu herdeiro, que se assume ser um Jon legitimado.
[Robb:] Senhor, preciso que dois de seus dracares contornem o Cabo das Águias e subam o Gargalo até a Atalaia da Água Cinzenta.
Lorde Jason [Mallister] hesitou.
– A floresta úmida é drenada por uma dúzia de cursos de água, todos eles rasos, assoreados e por mapear. Nem chamaria de rios. Os canais andam sempre derivando e se alterando. Há inúmeros bancos de areia, troncos caídos e emaranhados de árvores em putrefação. E a Atalaia da Água Cinzenta desloca-se. Como os meus navios irão encontrá-la?– Subam o rio exibindo o meu estandarte. Os cranogmanos vão encontrá-los. Quero dois navios para duplicar as chances de minha mensagem chegar a Howland Reed. A Senhora Maege irá num deles, Galbart no segundo. – Virou-se para os dois que tinha indicado. – Levarão cartas para os meus senhores que permanecem no Norte, mas todas as ordens nelas contidas serão falsas, para o caso de terem o azar de serem capturados. Se isso acontecer, deverão dizer-lhes que se dirigiam ao norte. De volta à Ilha dos Ursos, ou na direção da Costa Pedregosa.
(ASOS, Catelyn V)
Robb morre antes que ele possa tentar sua estratégia de retomar Fosso Cailin, mas Maege e Galbart desaparecem no Gargalo, para nunca mais serem vistos em momento nenhum de A Dança dos Dragões. Existem, no entanto, algumas dicas de que os dois mensageiros foram recebidos por Howland Reed e, mais interessantemente, voltaram a fazer contato com seus parentes no Norte.
Em primeiro lugar, os cranogmanos aparentemente começam uma campanha para livrar Fosso Cailin dos homens de ferro, cumprindo o último objetivo de Robb na guerra (apesar de a um ritmo mais lento, pois não contam com o apoio das tropas perdidas no Casamento Vermelho). Theon chega lá para encontrar a guarnição morta, morrendo ou escondida com medo dos demônios do pântano e seus venenos (ADWD, Fedor II).
Em segundo lugar, na marcha para Winterfell, Asha e Alysane conversam um pouco.
– Você tem irmãos? – Asha perguntou para sua carcereira.
– Irmãs – Alysane Mormont respondeu, ríspida como sempre. – Éramos cinco. Todas garotas. Lyanna está de volta à Ilha dos Ursos. Lyra e Jory estão com nossa mãe. Dacey foi assassinada.
– O Casamento Vermelho.
(ADWD, O Prêmio do Rei)
Como Alysane sabe que suas irmãs estão com sua mãe? A partir das descrições da hoste que Robb leva para o sul nos três primeiros livros parece que Dacey é a única filha que acompanha Maege. Isso faz um certo sentido, pois Dacey é a herdeira de Maege e as meninas mais novas não entrariam em guerra enquanto Alysane, a próxima da fila, permanece na Ilha dos Ursos.
Quando, então, Lyra e Jorelle saíram de casa? Elas e Alysane já estão ausentes quando Stannis envia suas cartas para todas as casas do Norte exigindo lealdade. Caso contrário Lyanna, de 10 anos, não teria tido a chance de responder de forma memorável, deixando Jon intrigado com a castelã escolhida pelos Mormonts (ADWD, Jon I).
De fato, se Maege estava em comunicação com a Ilha dos Ursos, suas filhas mais velhas provavelmente saberiam dela sobre Robb nomear Jon seu herdeiro, o que dá novo sentido às palavras de Lyanna. Assim como Wylla Manderly, Lyanna pode ser considerada jovem demais para participar de qualquer conselho secreto, mas, no entanto, sabe onde estão as verdadeiras lealdades de sua família, revelando-se inadvertidamente como “mulheres Stark” para Stannis, da mesma maneira que Wylla quase revela para os Frey que os Manderly eram. Talvez Lyanna atue em um desejo infantil de convencer Jon, que está na Muralha com Stannis, a reivindicar sua coroa.
Alysane chega mais tarde a Bosque Profundo e com a companhia.
Stannis tomara Bosque Profundo, e os clãs das montanhas se juntaram a ele. Flint, Norrey, Wull, Liddle, todos.
E tivemos outra ajuda, inesperada mas muito bem-vinda, da filha da Ilha dos Ursos. Alysane Mormont, a quem os homens chamam Mulher-Ursa, escondeu combatentes em uma flotilha de barcos de pesca e pegou os homens de ferro desprevenidos quando chegaram à costa. Os dracares Greyjoy foram queimados ou tomados, suas tripulações mortas ou rendidas. [...]
... mais nortenhos chegam enquanto as notícias da nossa vitória se espalham. Pescadores, mercenários, homens das colinas, arrendatários das profundezas da Matadelobos e aldeões que abandonaram seus lares ao longo da costa rochosa para escapar dos homens de ferro, sobreviventes da batalha do lado de fora dos portões de Winterfell, homens que já foram juramentados aos Hornwood, aos Cerwyn e aos Tallhart. Estamos cinco mil mais fortes enquanto escrevo para você, e nosso número incha a cada dia.
(ADWD, Jon VII)
A Ursa não poderia ter sido avisada da movimentação de Stannis em Bosque Profundo. Stannis praticamente desaparece do mapa enquanto ele arrebata Liddles, Norreys, Wulls e Flints, banqueteando-se pelas montanhas. Alysane está em Bosque Profundo em nome de outra facção. Uma que planeja retomar o castelo há algum tempo, uma vez que uma frota de navios de pesca (e os guerreiros que se escondem neles) não pode ser montada rapidamente.
De fato, os nortenhos que ingressaram no exército após a vitória de Stannis poderiam ter originalmente sido programados para atacar os homens de ferro em conjunto com as forças de Alysane. Ironicamente, isso significaria que Stannis seria a ajuda inesperada, mas muito bem-vinda, liberando Bosque Profundo antes do prazo e com menor custo para o Norte.
Em terceiro lugar, há Robett Glover, irmão e herdeiro mais novo de Galbart, que está em Porto Branco com Manderly. Para revisar, Robett é capturado em Valdocaso, mas é trocado por Martyn Lannister, filho de Kevan. Roose Bolton ordena que essa batalha seja travada, tentando sangrar as casas do Norte que se opunham a ele como Protetor do Norte, como acordado com Tywin.
Quando lhe trouxeram a notícia da batalha em Valdocaso, onde Lorde Randyll Tarly desbaratara as forças de Robett Glover e de Sor Helman Tallhart, seria de se esperar vê-lo enfurecido, mas ele limitou-se a olhar, numa incredulidade estupidificada, e dizer:
– Valdocaso, no mar estreito? Por que eles iriam para Valdocaso? – sacudiu a cabeça, desconcertado. – Um terço de minha infantaria perdido por Valdocaso?
– Os homens de ferro têm o meu castelo e agora os Lannister têm o meu irmão – disse Galbart Glover, numa voz carregada de desespero. Robett Glover sobreviveu à batalha, mas fora capturado perto da estrada do rei não muito mais tarde.
– Não será por muito tempo – prometeu o filho de Catelyn. – Vou oferecer Martyn Lannister em troca dele. Lorde Tywin terá de aceitar, por causa do irmão.
(ASOS, Catelyn IV)
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Robb tinha enviado o tio de Jeyne, Rolph Spicer, para entregar o jovemMartyn Lannister ao Dente Dourado, no mesmo dia emque recebera o acordo de Lorde Tywin com relação à troca de cativos. Tinha sido um gesto hábil. O filho ficava aliviado de seus receios quanto à segurança de Martyn, Galbart Glover ficava aliviado por saber que o irmão Robett tinha sido posto num navio em Valdocaso, Sor Rolph tinha uma tarefa importante e honrosa... e Vento Cinzento estava de novo ao lado do rei. Onde é o lugar dele.
(ASOS, Catelyn V)
Então, antes de Galbart partir para o Gargalo, ele descobre que Robett está a caminho do norte via mar. Onde mais poderia estar o destino de Robett, a não ser Porto Branco, o maior porto do norte? E se Maege pode entrar em contato com suas filhas, por que Galbart não poderia com seu irmão em Porto Branco, que fica muito mais próximo do Gargalo do que da Ilha dos Ursos?
Mas existe alguma pista de que Robett saiba que Robb nomeou Jon seu herdeiro? Talvez.
– A maldade está no sangue – disse Robett Glover. – Ele é um bastardo nascido de um estupro. Um Snow, não importa o que o rei menino diga.
– Alguma neve já foi tão negra? – perguntou Lorde Wyman. – Ramsay tomou as terras de Lorde Hornwood forçando o casamento com a viúva, e então a trancou em uma torre e a esqueceu lá. Dizem que ela comeu a extremidade dos próprios dedos... e a noção de justiça real dos Lannister é recompensar esse assassino com a garotinha de Ned Stark.
– Os Bolton sempre foram tão cruéis quanto espertos, mas esse aí parece um animal em pele humana – disse Glover.
(ADWD, Davos IV)
Robett e Manderly, também, parecem estar lançando mão dos disparates normais dos Westerosi sobre bastardos serem devassos e traiçoeiros por natureza, pois são nascidos da luxúria e mentiras. No entanto, GRRM lembra aos leitores da disputa pelas terras de Hornwood.
[Luwin:] – Sem herdeiro direto, haverá com certeza muitos pretendentes disputando as terras dos Hornwood. Tanto os Tallhart como os Flint e os Karstark têm ligações com a Casa Hornwood por linha feminina, e os Glover estão criando o bastardo de Lorde Harys em Bosque Profundo. O Forte do Pavor não tem nenhuma pretensão, que eu saiba, mas as terras são contíguas, e Roose Bolton não é homem que deixaria passar uma chance dessas. [...]
– Então deixe que o bastardo de Lorde Hornwood seja o herdeiro – Bran sugeriu, pensando no seu meio-irmão Jon.
Sor Rodrik disse:
– Isso agradaria aos Glover e talvez à sombra de Lorde Hornwood, mas não creio que a Senhora Hornwood iria simpatizar conosco. O garoto não é do seu sangue.
(ACOK, Bran II)
Mais tarde neste capítulo, Sor Rodrik questiona o intendente de Bosque profundo sobre Larence Snow, o bastardo de Lorde Hornwood, e o homem só tem elogios para o rapaz, à época com doze anos.
Por que Manderly e Glover gostariam de dar a Davos a impressão de que têm preconceito contra bastardos? E, por falar nisso, por que Davos se deu ao trabalho de recuperar não apenas Rickon de Skagos, mas Câo Felpudo para fins de identificação quando todos sabem que comandando a Muralha está Jon Snow, que foi criado em Winterfell com as crianças Stark?
Certamente, se a presença de Theon como protegido de Ned Stark é suficiente para passar Jeyne Poole como Arya, o testemunho de Jon pode provar que Rickon é quem Manderly diz que é. A menos que, segundo a teoria, Lord Wyman e Robett evitem escrupulosamente qualquer menção a Jon com a ideia de que quanto menos atenção for atraída para Jon (especialmente em relação a reis e herdeiros) melhor.
Bem, isso é talvez seja um pouco forçado (risadas). De qualquer forma, Robett desaparece no final de A Dança dos Dragões, não acompanhando Manderly à festa em Winterfell. Onde ele está? Uma teoria é que ele também está do lado de fora das muralhas de Winterfell ou em algum lugar próximo, escondido pela tempestade de neve, tendo liderado um exército de homens do Norte pelo Faca Branca.
Robett Glover estava na cidade e tentara arregimentar homens, com pouco sucesso. Lorde Manderly ignorara seus apelos. Porto Branco estava cansado de guerra, fora a resposta dele, segundo relatos. Isso era ruim.
(ADWD, Davos II)
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Wyman Manderly balançou pesadamente os pés. – Venho construindo navios de guerra há mais de um ano. Alguns você viu, mas há muitos mais escondidos no Faca Branca. Mesmo com as perdas que sofri, ainda comando mais cavalos pesados do que qualquer outro senhor ao norte do Gargalo. Minhas muralhas são fortes e meus cofres estão cheios de prata. Castelovelho e Atalaia da Viúva seguirão minha liderança. Meus vassalos incluem uma dúzia de pequenos senhores e uma centena de cavaleiros com terras.
(ADWD, Davos IV)
O cansaço de Manderly por guerra é total e completamente fingido. Os relatos sobre falhas de Robett emarregimentar homens também são falsos? Note que, se houver outro exército à espreita na neve, Stannis nada sabe disso.
Finalmente, voltando à pergunta original, onde estão Maege Mormont e Galbart Glover? Especula-se que eles decidam permanecer nas Terras Fluviais, usando a Atalaia da Água Cinzenta como base de operações para tentar reunir os remanescentes do exército de Robb que ficam presos e dispersos quando Fosso Cailin caiu em mãos inimigas. Por exemplo, os seiscentos homens - incluindo lanceiros das montanhas e de Proto Branco, arqueiros Hornwood, e Stouts e Cerwyns – que Roose deixa no Tridente sob o comando de Ronnel Stout e Sor Kyle Condon (ASOS, Catelyn VI) dos quais nunca mais se ouve falar. Se a viagem de Senhora Coração de Pedra ao Gargalo significar que a Irmandade sem Bandeiras está agora trabalhando com Reed, Mormont e Glover, essas forças poderão em breve reaparecer onde mais doerá nos Lannisters e Freys.

Intriga marchando para Winterfell

Com Alysane Mormont funcionando como a conexão com a Senhora Maege e, consequentemente, com a legitimação de Jon por Robb como rei no norte, os próximos jogadores nesse jogo de telefone sem fio são os homens do clã, os quais (como Manderly fica sabendo via Wex) sabem que Bran (e provavelmente que Rickon também) sobreviveu ao saque de Winterfell.
Jojen Reed parou para recuperar o fôlego.
– Acha que essa gente das montanhas sabe que estamos aqui?
– Eles sabem. – Bran avistara-os observando; não com os próprios olhos, mas com os olhos mais sensíveis de Verão, que deixavam escapar muito pouco. [...]
Só uma vez encontraram um membro do povo da montanha, quando uma súbita carga de água gelada tinha feito com que buscassem abrigo. [...] Bran achou que devia ser um Liddle. O broche que prendia seu manto de pele de esquilo era de ouro e bronze, trabalhado em forma de pinha, e os Liddle usavam pinhas na metade branca de seus escudos verde e branco.
O Liddle puxou uma faca e começou a desbastar um pedaço de madeira.
– Quando havia um Stark em Winterfell, uma donzela podia percorrer a estrada do rei usando o vestido do dia de seu nome e nada sofrer, e os viajantes encontravam fogo, pão e sal em muitas estalagens e castros. Mas agora as noites são mais frias, e as portas estão fechadas. Há lulas na mata de lobos, e homens esfolados percorrem a estrada do rei, perguntando por forasteiros.
Os Reed trocaram um olhar.
– Homens esfolados? – perguntou Jojen.
– Os rapazes do Bastardo, ora. Ele tava morto, mas agora não tá. E paga bom dinheiro por pele de lobos, segundo um homem ouviu dizer, e talvez até ouro por notícias de certos outros mortos que andam. – Olhou para Bran quando disse aquilo, e para Verão, que estava estendido ao seu lado. – [...] Era diferente quando havia um Stark em Winterfell. Mas o velho lobo tá morto e o novo foi para o sul jogar o jogo de tronos, e tudo que nos resta são os fantasmas.
– Os lobos voltarão – disse solenemente Jojen.
(ASOS, Bran II)
Este estranhamente bem informado Liddle, com seu broche de ouro e bronze, é talvez um líder em seu clã. Ele não apenas reconhece Bran, mas seu pessoal também tem se mantido atentos. O próprio fato de os homens de Bolton terem prometido recompensa por notícias dos Stark supostamente mortos sugere que eles não estão mortos. Bran também pergunta ao Liddle a que distância fica a Muralha (não consta da citação acima) e, embora o homem pense que eles não deveriam seguir esse caminho, ele fica por dentro de parte dos planos deles.
Em A Dança dos Dragões, os Liddles ajudam Stannis a tomar Bosque Profundo e a marchar para Winterfell junto com os Norreys, Wulls e Flints. Em minha opinião, há boas chances de que os Liddles tenham contado aos demais sobre o encontro com Bran e companhia. Os clãs das montanhas podem brigar por cabras e mulas roubadas, mas quando se trata dos Starks de Winterfell, há consenso. Segundo a teoria, quando Alysane se junta à marcha, ela e os homens do clã trocam informações. Os Liddles, Norreys, Wulls e Flints ficam sabendo sobre Jon, Alysane sobre Bran (e talvez Rickon, se ela ainda não tiver cruzado com os Glovers).
Pouco tempo depois, Jon hospeda Norreys e Flints na Muralha.
O Velho Flint e O Norrey tinham lugares de grande honra logo abaixo do estrado. Ambos eram velhos demais para marchar com Stannis; haviam mandado filhos e netos em seus lugares. Mas ambos haviam sido rápidos o suficiente para descer até o Castelo Negro para o casamento. Cada um trouxera uma ama de leite para a Muralha, também. [...] Entre as duas, a criança que Val chamara de Monstro parecia estar prosperando.
Por isso Jon estava grato... mas não acreditara nem por um momento que esses dois veneráveis velhos guerreiros desceriam correndo das montanhas sozinhos. Cada um viera com uma cauda de guerreiros – cinco para o Velho Flint, doze para O Norrey, todos vestidos em peles esfarrapadas e couro cravejado, temíveis como a face do inverno. Alguns tinham longas barbas, alguns tinham cicatrizes, alguns tinham ambos; todos veneravam os antigos deuses do Norte, os mesmos deuses venerados pelo povo livre para lá da Muralha. No entanto, eles se sentaram, bebendo por um casamento santificado por algum estranho deus vermelho de além-mar.
Melhor isso do que se recusar a beber. Nem os Flint nem os Norrey haviam virado suas taças para derramar o vinho no chão. Isso poderia indicar certa aceitação. Ou talvez simplesmente odeiem desperdiçar um bom vinho sulista. Não dá para provar muito disso naquelas montanhas rochosas deles.
(Jon X, ADWD)
Pode ser que Flint e Norrey estiveram na Muralha para avaliar Jon? Suponha que estes homens de clã com Stannis enviem uma mensagem ou mensageiro de volta às montanhas, falando do sucessor escolhido por Robb. Os nortenhos sobrevivem na neve muito melhor do que os cavaleiros do sul de Stannis, e duvido que algum deles notaria o desparecimento um ou dois daqueles homens. O acordo de Jon sobre o casamento de Alys Karstark e sua trégua com os selvagens seriam infrações à autoridade do Rei do Norte. E representantes dos clãs das colinas vieram para observar e julgar como ele lida com os ambas as coisas:
– Lorde Snow – disse O Norrey –, onde você pretende colocar esses seus selvagens? Não nas minhas terras, espero.
– Sim – declarou o Velho Flint – Se quer deixá-los na Dádiva, é problema seu, mas assegure-se de que não vão ficar vagando por aí, ou mandarei a cabeça deles para você. O inverno está próximo e não quero mais bocas para alimentar.
– Os selvagens ficarão na Muralha – Jon lhes assegurou. [...]– Tormund me deu sua palavra. Ele servirá conosco até a primavera. O Chorão e os outros capitães terão que prometer a mesma coisa, ou não os deixaremos passar.
O Velho Flint abanou a cabeça.
– Eles nos trairão [...]
– O povo livre não tem leis nem senhores – Jon falou –, mas amam suas crianças. Você admitiria isso ao menos? [...] Por isso insisti em mantermos reféns. [...]
Os nortenhos olharam um para o outro.
– Reféns – ponderou O Norrey. – Tormund concordou com isso?
Era isso, ou ver seu povo morrer.
– Meu preço de sangue, ele chamou – falou Jon Snow –, mas pagará.– Sim, e por que não? – O Velho Flint bateu sua bengala contra o gelo. – Protegidos, nós sempre os chamávamos, quando Winterfell exigia rapazes de nós, mas eram reféns, e nada pior que isso.
– Nada, exceto para aqueles cujos pais desagradavam os Reis do Inverno – falou O Norrey. – Esses voltavam para casa uma cabeça mais curtos. Então me diga, rapaz... se esses seus amigos selvagens se mostrarem falsos, você terá estômago para fazer o que precisa ser feito?
Pergunte a Janos Slynt.
– Tormund Terror dos Gigantes me conhece o suficiente para não me testar. Posso ser um rapaz inexperiente aos seus olhos, Lorde Norrey, mas ainda sou um filho de Eddard Stark.
(ADWD, Jon XI)
Acredito que Flint e Norrey estão devidamente impressionados aqui. Se Alysane realmente falou com os clãs da intenção de Maege Mormont de defender os últimos desejos de Robb, acho que eles estariam dispostos a aceitar Jon como Rei do Inverno.
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2019.10.08 05:02 altovaliriano Explique "Grande Conspiração Nortenha" (out/2019) - Sem sinal de ASOIAF (ago/1990)

Hoje eu quero iniciar o formato que acredito ser o ideal para analisar os arquivos do So Spake Martin (SSM) de Westeros.org.
Eu tentarei analisar os SSMs mais antigos em ordem cronológica e os mais recentes de forma retroativa, até que ambas as pontas um dia se encontrem no meio. Daí em diante, eu passaria a apenas a analisar os mais recentes.
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Mais recente: Entrevista à WGN Radio (04/10/2019)
Link no arquivo: https://www.westeros.org/Citadel/SSM/Entry/16162
Martin foi entrevistado por telefone por uma rádio de Chicago antes da sua visita na cidade (que deve estar ocorrendo enquanto falamos).
Os apresentadores começam falando sobre a carreira de Martin na ficção científica, comentam a dificuldades de interação com leitores hoje em dia e, por fim, perguntam como é ter Westeros noite e dia consigo durante a escrita.
Martin fala diz que quando a escrita está correndo bem, ele fica pensando em Westeros o dia todo, mas o momento em que as idéias mais lhe ocorrem é quando esta indo dormir. Que fica pensando na cena que vai escrever na manhã seguinte ou na semana seguinte e que os personagens tomam vida e ele chega a ouvir partes de diálogos.
Depois as perguntas se concentraram em Game Of Thrones. Martin disse que o alívio porque o show acabou é apenas parcial, em razão de agora não se martiriza tanto pensando que está atrasado em relação à HBO.
Quando um dos apresentadores critica os roteiros dos episódios da 5ª temporada em diante (especialmente em relação à última temporada), Martin responde bruscamente. Diz que ele vai terminar o próximo livro e que aí poderão ler a versão dele da história. Martin também não avança muito quando é perguntado sobre Bloodmoon (série sucessora de GoT sobre a Era dos Heróis, sob a responsabilidade de Jane Goldman), apenas frisa que a série é de autoria de Jane Goldman.
No final da entrevista, o apresentador fala que seus filhos falaram tanto sobre a "Grande Conspiração Nortenha" (uma teoria de fã que devo cobrir no futuro) que ele sabia que só teria paz quando pedisse para GRRM explica-la. Martin ri e diz que não comenta teorias de fãs, pois diz que há muitas por aí, e umas são verdade, outras não.
O programa é encerrado com os apresentadores falando mal da escrita de Dan & David e tirando sarro de Martin por ter sido brusco na resposta sobre o final de Game of Thrones.
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Mais Antigo: Entrevista ao site Eidelon (01/04/1990)
Link: https://www.westeros.org/Citadel/SSM/Entry/1431
Nesta entrevista, vemos Martin responde perguntas sobre sua carreira na Ficção Científica e Horror, seu envolvimento com Hollywood (e o quão hesitante ele estava em voltar a trabalha lá depois de The Beauty and the Beast) e ele fala dos planos para o futuro.
O que é interessante sobre esta entrevista é que ela aconteceu antes que Martin começasse a escrever ASOIAF (em 1991) e vemos Martin avaliando um futuro que não incluía as Crônicas de Gelo e Fogo.
Confira abaixo a entrevista traduzida na íntegra:

E: Por que você começou a escrever?
GM: Bem, eu não acho que tenha decidido conscientemente me sentar um dia e dizer "Nossa, eu vou começar a escrever". De certo modo, eu sempre escrevi. Mesmo antes de poder escrever, eu sempre pensei em histórias e inventei histórias. Mesmo quando eu era criança e brincava, inventava personagens, brincava com tramas, brincava com histórias, contava histórias para as outras crianças. Portanto, não tenho certeza de que algo a que se chega depois de certa deliberação, é apenas algo que, pelo menos comigo, parecia automático; algo que eu nasci com.
Comecei a enviar minhas histórias e a publicá-las primeiro a nível de fã: nos tempos de escola durante a adolescência, eu era ativo no fandom de quadrinhos, que naquela época estava apenas começando nos Estados Unidos. Eu era um fã ativo de quadrinhos. Então publiquei em vários fanzines de quadrinhos e, finalmente, quando estava na faculdade, fiz minha primeira venda profissional.
E: Você é mais conhecido por escrever contos de ficção, e eu sei que escrever contos de ficção não compensa tanto quanto escrever romances. Por que você ainda escreve contos de ficção?
GM: Bem, às vezes eu só tenho uma história para contar que não tem o suficiente para ser um romance, e eu prefiro fazer um bom conto ou uma boa novela do que escrever um romance ruim e grande.
Na verdade, à medida que minha carreira progredia, minhas histórias tendiam a ficar cada vez mais longas. Quero dizer, acho que se você realmente olhar para a minha bibliografia, bem no início da minha carreira, escrevi principalmente pequenos contos. Faz vários anos desde que pude produzir um conto real e genuíno. Ou seja, algo curto [risos]. Embora eu escreva coisas com comprimento menor do que uma novela: venho fazendo muitas novelas e noveletas nos últimos anos.
E: Ainda é difícil vender novelas? Há uma maravilhosa história de horror em um dos livros de Stephen King sobre o quão difícil é vender novelas. Você acha isso?
GM: Não é difícil para mim vender novelas de ficção científica. Stephen King tem um nome gigantesco, é claro, mas mesmo ele está em uma posição um pouco estranha, pois é um escritor de terror; não há mercado para contos de terror, pelo menos não nos Estados Unidos. Existem algumas revistas semi-profissionais; ocasionalmente, a Revista de Fantasia e Ficção Científica publicará alguns, mas para as novelas de ficção científica ainda há um mercado bastante ativo, e foi uma novela, "Uma Canção para Lya", que virou uma das minhas principais histórias inovadoras no início de minha carreira. Ganhei meu primeiro prêmio Hugo, aqui na Austrália, na verdade; na Aussiecon One.
E: Você escreve muito horror hoje em dia. Por que? Pois só lhe vem histórias de horror ou porque acabou a graça da ficção científica?
GM: Bem, eu não diria isso. Eu gosto de fazer coisas diferentes. Há muitos tipos diferentes de histórias que quero contar. . . ficção científica, fantasia, horror, até mesmo algumas convencionais. Adorei histórias de horror quando jovem. Eu li muitas delas. Mas, por um tempo, a graça delas meio que acabou. Depois de ler tudo o que HP Lovecraft havia feito, na colégio, e ter experimentado alguns outros, realmente não consegui encontrar nenhum escritor de terror de que gostei. Eles não pareciam mais capazes de me assustar. Então eu meio que me afastei disso e, quando comecei a vender profissionalmente nos anos 70, eu estava lendo e escrevendo exclusivamente ficção científica. Mas acho que Stephen King produziu um genuíno renascimento do horror. Eu li e gostei de King. Muitas pessoas vieram no rastro dele, que eram imitadores e não eram tão bons, mas acho que ele provou que a ficção de terror ainda era viável. Eu tenho minha própria abordagem na ficção de horror, é claro. Eu não acho que isso se encaixa perfeitamente na categoria Stephen King. Há um parâmetro, o que eu chamaria de sensibilidade de "ficção científica", até mesmo para a minha ficção de terror.
E: Isso é extremamente lógico, extremamente bem explicado. . .
GM: Sim, há uma parte de mim que é muito Campbelliana em vez de Lovecraftiana, que acredita que realmente está dentro da capacidade da mente humana de compreender tudo, e meus protagonistas não são levados à loucura, como muitos de Lovecraft foram, por horrores grandes e incompreensíveis demais para eles imaginarem.
E: O que você acha do horror "moderno", da tradição do splatterpunk e do fato de os filmes estarem ficando cada vez mais violentos e cada vez mais bobos?
GM: Essa é uma pergunta muito ampla. Fiz parte de alguns painéis que falar sobre isso por algumas horas.
Certos aspectos disso me preocupam, na verdade. Permita-me aqui esclarecer que não sou a favor de nenhum tipo de censura; Eu sou bastante anti-censura. Eu sou o mais extremo que se pode ser sobre toda a questão da liberdade de expressão. Mas, no entanto, como leitor, lendo algumas dessas coisas, me perguntam o que eles querem dizem sobre a sociedade e a cultura norte-americanas, e me pergunto o que essa tendência significa, pois o horror se torna cada vez mais explícito e o foco muda, como tantas vezes acontece, para fazer do monstro o herói ao invés de vilão de grande parte de filmes de terror...
E: Eu lembro da frase em "The Skin Trade", em que um personagem atribui um assassinato a "alguém que já viu muitos filmes de Halloween e sexta-feira 13 ".
GM: Sim. Eu assisti a alguns desses filmes em que não apenas o que está na tela é perturbador, mas o comportamento de certos membros da platéia é muito assustador.
E: O que você está escrevendo agora? O que podemos esperar ver em um futuro próximo?
GM: Bem, no momento não estou no meio de nada importante. Continuo trabalhando na minha série Wild Cards , que é uma coisa contínua. No momento, estou trabalhando principalmente como editor, apesar de ter escrito metade do livro sete (que será lançado em agosto nos Estados Unidos). Esse é um mosaico de duas pessoas, eu e John Miller, por isso é essencialmente um romance colaborativo, do qual metade é meu.
Entreguei o livro oito e estou trabalhando na edição do livro nove, mas ainda não tenho histórias. Estou simplesmente trabalhando nisso como editor, e a série não para por aí. Até janeiro, é claro, eu estava trabalhando em no programa de TV A Bela e a Fera, mas que agora terminou, então eu assinei para fazer um filme de ficção científica de baixo orçamento (para fazer roteiro dele), mas não posso falar muito sobre isso. E estou testando algumas novas idéias de romance e tenho certeza que quando junho chegar (junho é tradicionalmente o mês em que a nova temporada de televisão começa em Hollywood) posso acabar recebendo ofertas para escrever ou produzir um novo programa de televisão. Eu teria que avalia-las, mas se eu voltaria para lá, eu não sei dizer. Depende do que tipo de show é, qual é a oferta, é algo que me interessa? Então, basicamente, tenho alguns meses de folga agora.
E: Um dos meus livros favoritos é oTuf Voyaging. A Locus [Magazine] anunciou há muito tempo que haveria um segundo livro,Twice as Tuf”. Eles estavam mentindo?
GM: Bem, eles não estavam mentindo. Pode ser que esse livro ainda venha, mas não será lançado tão cedo. Basicamente, eu assinei para fazer o Twice as Tuf e logo depois de assiná-lo, acabei trabalhando em Hollywood, primeiro em Além da Imaginação e depois em A Bela e a Fera , e isso ocupou muito do meu tempo. E o prazo chegou e foi embora e nós o estendemos várias vezes para Twice as Tuf e nada... Eu nunca tive tempo para produzir nada relativo a isso. Então, finalmente, cheguei a um entendimento com a editora, pelo qual lhes dei essencialmente dois dos meus direitos para brochura de dois outros livros, A Morte da Luz, meu primeiro romance, que eles acabaram de relançar, e direitos para brochura de uma de minhas coleções que nunca esteve foi impresso em brochura [Retrato de Seus Filhos - Ed. ], então eles farão uma edição desta também, e eles substituirão Twice as Tuf. Agora, eu ainda gostaria de escrever mais sobre esse personagem e ainda acho que vou retomar e fazer esse livro algum dia, mas exatamente quando esse dia chegará, eu não sei.
As demandas da TV quando estou trabalhando em um programa me mantêm bastante ocupado, e fazendo isso e os Wild Cards, eu não consigo dar conta de muita coisa. E agora que tenho um pouco de tempo para pensar em assumir outro projeto, não acho que a coisa "Tuf" seja a primeira coisa em que realmente me apetece entrar agora. Eu gostaria de fazer outro romance quando tiver tempo; um que não seja parte deu uma saga.
E: Você mencionou a Bela e a Fera e Além da Imaginação**.** Como é escrever uma série? Além da Imaginação deve ser bem diferente, pois é uma série antológica... Como foi sua experiência com isso, como você se envolveu e como foi?
GM: Bem, eu me envolvi nisso quase por acaso. Phillip de Guerre, que foi o produtor executivo de Além da Imaginação, também é um grande fã de rock 'n' roll, e há alguns anos atrás eu fiz um livro chamado The Armageddon Rag e Phil o selecionou para um filme. Naquela época, ele me levou para Hollywood, tive várias reuniões com ele para discutir o roteiro que ele planejava escrever para o filme de The Armageddon Rag e ele escreveu vários roteiros, mas nunca conseguimos fazer o filme ou conseguir financianciamento.
Mas eu conheci Phil no processo e, quando ele pôs Além da Imaginação em produção, resolvei arriscar e me deu um trabalho de roteiro, e gostou do resultado o suficiente para que, quando estavam com muito serviço, me trouxessem a bordo como Staff Writer (que é o único cargo de produção de Hollywood que contém a palavra "escritor" e, portanto, você sabe que é a posição mais baixa da cadeia, como de fato era). Então, comecei como redator em Além da Imaginação e subi até o Story Editore, em seguida, Executive Story Consultant. E, em A Bela e a Fera, eu fui Produtor e depois Coordenador de Produção.
Então, Alpem da Imaginação era bem diferente de A Bela e a Fera, de certa forma, porque um era um show antológico e o outro é uma série episódica semanal regular, e ainda assim os dois projetos tinham talvez mais em comum um com o outro do que qualquer outra coisa que eu já tenha feito, porque eles eram, afinal, a televisão, que é um mundo completo em si mesmo, e é diferente de qualquer experiência que um escritor possa ter, de verdade.
De certa forma, sinto que a televisão era boa para mim. Certamente foi bom para mim financeiramente [risos] e foi muito estimulante. Digo, eu havia sido um escritor independente por muito tempo antes de assumir esse emprego; trabalhando em casa, acordando todos os dias, levando duas horas para tomar minha xícara de café, entrar no escritório, ligar o processador de texto, talvez fazer alguma coisa, talvez não (Eu nunca fui um escritor muito disciplinado, e é por isso que minha bibliografia é comparativamente curta em comparação com alguns de meus contemporâneos).
Não é assim que Hollywood funciona. Você entra no escritório todos os dias, fica lá não por oito horas por dia, mas algo mais perto de dez, onze ou doze horas. Você está escrevendo, participando de reuniões, participando de sessões de apresentação, indo ao set, reunindo-se com o diretor ou o responsável. Então isto me impôs certa disciplina em mim; que era boa para mim e também extremamente estimulante. Digo, era um mundo totalmente novo para aprender, sobre o qual eu não conhecia nada antes, e isso me envolveu em algo que eu não tive por muitos anos; todo esse negócio de "ambiente de escritório", onde você realmente precisa entrar e interagir com outras pessoas.
Hollywood é um mundo estranho, mas, de certa forma, é o Mundo Real, e é bom para um escritor entrar em contato com o Mundo Real de vez em quando. Eu acho que um escritor que passa toda a sua carreira escrevendo romances a partir dos estudos que faz em sua casa (e talvez encontrando algumas pessoas em convenções ou ocasionalmente indo a um coquetel literário) perde de vista o mundo real, de como as coisas realmente são lá fora. E você começa a fazer muitas coisas auto-referenciadas, o que eu acho que é uma armadilha para qualquer escritor.
E: Você colaborou bastante durante sua carreira, fora o trabalho de televisão. Você gosta disso e como você faz?
GM: Cada caso é diferente. É como um casamento. Eu colaborei com Lisa Tuttle, Howard Waldrop, George Gutthridge. Com quem mais eu colaborei? Estou esquecendo alguém? [Risos.]
E: Bem, a televisão é colaborativa até certo ponto. Wild Cards é colaborativo, se preferir.
GM: Bem, com Wild Cards , estou funcionando mais como editor do que como colaborador, então isso é um pouco diferente. Cada uma das minhas colaborações era essencialmente diferente.
Aquele com Howard foi a primeira colaboração. Isso era basicamente: Howard e eu estávamos nos correspondendo há muitos anos, finalmente nos conhecemos em uma convenção em Kansas City, 1972, e devia ter algo errado naquela água ou algo do tipo porque decidimos "Ei, vamos fazer uma história juntos!" Então, enquanto todo mundo estava no Playboy Club no hotel de convenções servindo bebidas por coelhinhas voluptuosas, Howard e eu estávamos em nosso quarto de hotel com a pequena máquina de escrever portátil de Howard, martelando folhas de papel amarelo e, sabe, ele escrevia e ficava sentado atrás dele na cama e então ele parava e eu escrevia, e não produzimos muito coisa. Terminamos uma pequena parte, mas ele levou para casa, escreveu mais um pouco, enviou para mim e assim por diante.
Lisa e eu, éramos pólos opostos para começar. Ela estava no Texas e eu em Chicago quando começamos e depois em Dubuque, Iowa, e colaboramos principalmente através de e-mails, cada um de nós escrevendo uma seção, enviando-as para o outro, que reescreveria a seção anterior que o outro havia escrito e então avançaria um pouco mais além. Assim foi indo e voltando até que chegou um ponto em que eu não sabia mais o que Lisa havia escrito naquele livro e o que eu havia escrito. Ocasionalmente, uma frase se sobressaia como uma “frase de Lisa" ou uma frase minha, mas, fora isso, eu não saberia diferenciar.
A coisa com George Gutthridge, era uma história muito velha. Na verdade, foi uma das primeiras histórias de ficção científica que eu escrevi, que foi recusada várias vezes e que eu nunca fui capaz de vender. Anos depois, George pegou-a e reescreveu. Portanto, minha escrita foi feita no final dos anos 60, e ele a dele foi feita uma década depois.
E: Nightflyers foi transformado em filme há alguns anos atrás. O que você achou do filme? Foi bem diferente da sua história.
GM: Bem, acho que eles foram cerca de 75% fiéis, mas, infelizmente, os 25% que eles mudaram tiveram uma espécie de efeito cascata e fizeram com que os 75% que não foram alterados não fizessem tanto sentido quanto poderia ter. Eles fizeram algumas mudanças que eu aprovo e gostei e outras que não entendi e não gostei.
Eu acho que o filme teve algumas coisas boas - direção de arte adorável, efeitos especiais maravilhosos, considerando o orçamento que era minúsculo (sim, eles não têm os efeitos especiais de Guerra nas Estrelas, mas para um filme de três milhões de dólares - o que ele era - fizeram um trabalho muito impressionante) e tiveram algumas boas interpretações secundárias - mas no geral não acho que funcionou. Infelizmente.
E: Você tem outros projetos de filmes que possam ir adiante, em um futuro próximo?
GM: Eu tenho interesse constante em "Sandkings". Ele está sempre sendo selecionado. E tem havido algum interesse no Fevre Dream. E Phil ainda está ocasionalmente fuçando e conversando sobre O Armageddon Rag. Mas se alguma dessas coisas realmente vai acontecer, eu não seria capaz de afirmar.
E: Quem o inspirou como escritor? Quem são seus escritores favoritos?
GM: Há muitos escritores que eu gosto. Acho que aqueles que realmente tiveram mais efeito sobre mim foram provavelmente os escritores que li quando jovem. Costumo pensar que essas influências, que você absorve a nível subconsciente antes mesmo de sonhar em escrever, são as influências duradouras. Quero dizer, eu cresci lendo Andre Norton, lendo Heinlein Juveniles, lendo Eric Frank Russell (que eu acho um autor maravilhoso, mas que é por demais esquecido, infelizmente). Lovecraft: quando descobri Lovecraft, fiquei encantado por ele, por razões que tenho certeza de que eu entenderia se ainda tivesse quinze anos [risos].
Hoje em dia, meus escritores favoritos são uma lista diferente. Sou um grande admirador de Jack Vance. Eu não sei se Vance teve. . . Vance exerceu grande influência em Haviland Tuf, que começou na primeira história, "Uma Fera para Norn", como uma tentativa muito consciente de escrever uma história ao estilo "Jack Vance", e se você olhar em "Uma Fera para Norn", sou eu muito arduamente imitar Vance. E há ainda outras partes de Tuf que são muito Vancianas. Mas, fora isso, não acho que Vance tenha tido um efeito profundo na minha escrita. Eu leio muito fora deste ramo hoje em dia. Pessoas como Larry McMurtry, William Goldman, Pat Conroy. Essa é uma lista longa. Eu poderia dar nomes aqui o dia todo.
E: Como começou a série Wild Cards**?** Eu ouvi uma mito sobre isso.
GM: Bem, na verdade começou como um jogo de RPG. Há um grupo de escritores em Albuquerque que ocasionalmente jogam juntos, e eles me arrastaram para algumas de suas atividades. Então, eu joguei vários jogos com eles e eles sabiam que eu era um velho fã de quadrinhos desde a infância. Então, em um ano, no meu aniversário, Vic Milan me deu um jogo de RPG de super-herói chamado Superworld, da qual me tornei o Mestre. E pelo menos metade das pessoas em nosso grupo de jogadores eram escritores profissionais com histórias publicadas. Então eles criaram personagens realmente maravilhosos, e como Mestre eu criei mais personagens do que qualquer outra pessoa. E jogamos esse jogo incessantemente por um ano e meio e colocamos muita criatividade e desenvolvimento nos personagens. Neste ponto, eu finalmente disse, sabe, deve haver alguma maneira de ganharmos dinheiro com isso [risos].
Não, me ocorreu que seria uma excelente série de antologias em um mundo compartilhado, seguindo o modelo de Thieves World . Então, reunimos pessoas, conversamos a respeito, e talvez de meia dúzia a uma dúzia dos personagens foram incorporados. Agora, para deixar claro, não acredito apenas em botar no papel as aventuras dos jogos. Me parece uma boa maneira de obter uma ficção realmente ruim. Digo, jogos são divertidos, mas não são livros. Portanto, muitos de nossos personagens, embora tenham suas raízes no jogo, foram substancialmente alterados e adaptados na transição. Além disso, muitas pessoas envolvidas em Wild Cards não eram membros do jogo. Quero dizer, começamos com o núcleo dos escritores de Albuquerque, mas entrei em contato com muitas pessoas como Roger Zelazny, Howard Waldrop, Pat Cadigan, entre outros - que não faziam parte do grupo de jogos - mas que eu sabia que tinham algum carinho por heróis pulp ou heróis de quadrinhos, todo o conceito de superpotências e que eu pensei que seriam capazes de contribuir com algumas coisas interessantes para a série.
E: Para novos escritores em geral, algum conselho?
GM: Acho que este é um momento difícil para alguém que está estreando. Digo, o início dos anos 70, quando entrei, foi um período muito mais favorável.
O mercado de contos ainda está aberto. Digo, Asimov, Analog, F & SF estão constantemente procurando novas pessoas, porque você não consegue ganhar dinheiro suficiente com elas [as revistas de contos], então as pessoas tendem a não ficar por muito tempo. Ainda é o melhor lugar para estabelecer uma reputação. Eu acho que estabelecer uma reputação nesta época em que há tantos escritores... tornar seu nome algo que os leitores vão lembrar e procurar é uma das coisas mais importantes.
Uma das coisas mais inteligentes que fiz na minha carreira, que fiz por acidente - certamente não planejei – foi não escrever um romance nos primeiros cinco ou seis anos. Porque então, quando o romance foi lançado, não era apenas o romance de alguém que ninguém havia ouvido falar, era o tão esperado primeiro romance de George R. R. Martin, o vencedor do Hugo! Isso me proporcionou um pagamento adiantado muito maior, teve uma certa quantidade de hype, foi resenhado em todos os meios, teve visibilidade. E a maneira como conseguiu essa visibilidade, é claro, foi nas revistas: tendo não apenas um conto ocasional, mas tendo muitos contos [publicados] naqueles primeiros anos. Houve meses em que três revistas foram publicadas, todas com uma de minhas histórias nelas: histórias de capa. Assim, estas vendas iniciais de contos às revistas ainda são um dos melhores jeitos de se fazer isso.
A longo prazo, é claro, você precisará passar para romances se quiser ganhar a vida como escritor profissional em tempo integral. E essa é a parte que está se tornando cada vez mais difícil, principalmente se você é um escritor sério e com ambição. Digo, eu vejo o mundo de Hollywood com o qual lido, e o mundo dos livros de onde venho, estão ficando cada vez mais parecidos a cada ano que passa, e não é Hollywood que está mudando. Os editores de livros estão se tornando cada vez mais voltados para a ficção comercial, para os resultados. Assim, enquanto a empresa estivesse lucrando, eles bancariam um bom autor por alguns anos e alguns livros até que ele encontrasse seu público e estabelecesse sua reputação. Agora, se o seu primeiro livro não ganhar dinheiro, você terá muita dificuldade em vender o segundo. Digo, esta é a situação atualmente. Muitas pessoas dizem que é realmente muito bom comercialmente vender um primeiro romance. Mas se esse primeiro romance não se provar um David Eddings ou um Stephen Donaldson, é comercialmente terrível por a venda seu segundo romance.
E: Tendo participado de Alpem da Imaginação e Wild Cards , você acha que o "mundo compartilhado" está se tornando uma tendência séria ou você acha que é apenas uma fase pela qual estamos passando?
GM: Bem, acho que há um pouco de ambos. Não acho que antologias funcionaram na televisão, o que é uma coisa a lembrar. Veja, Além da Imaginação foi um fracasso, nem um pouco tão bem-sucedido quanto o programa original, que foi de certa forma um programa periférico por cinco anos, por mais aclamado que fosse (e foi um programa maravilhoso que assisti religiosamente quando criança). Em algum momento dos meus discursos aqui [em Danse Macabre] eu acho que vou falar um pouco mais a respeito, mas esta entrevista não será publicado antes do evento, então, apenas adiantando assunto: eu acho que. . . todas as formas de ficção, todas as formas de entretenimento estão se movendo cada vez mais para as séries. Quero dizer, vemos pessoas em nosso ramo olhando para ele com uma visão muito restrita e dizendo "O que está acontecendo com a ficção científica? Essas malditas séries!". Não está acontecendo apenas na ficção científica, está acontecendo com todas as formas de ficção. Está acontecendo na televisão, onde os programas de antologia não conseguem ter sucesso e as pessoas querem programas de séries. Está acontecendo nos filmes, onde você tem Rambo IV e Rocky IX . Qualquer coisa que faz sucesso retornará com em um “II”, no final.
E: Quem você culpa? Você culpa a televisão ou. . .
GM: Não, eu não culpo a televisão. Eu acho que parte disso é a evolução da nossa cultura. Ainda estou procurando algumas explicações sobre isso; não tenho todas ainda. Portanto, isso não é conclusivo como em um artigo acadêmico, mas eu tenho o começo de algumas teorias a respeito. Não sei o suficiente sobre a Austrália para falar sobre a cultura de vocês com qualquer autoridade; eu sempre pensei nisso em termos de Estados Unidos.
Se você olhar para o romance: quando o romance foi concebido, era. . . o próprio nome denota novidade - "o novel", é uma coisa nova, derivada da raiz latina. Mas o romance foi apresentado em um momento em que a sociedade era muito estática, onde as pessoas nasciam em uma cidade pequena e talvez nunca tivessem ido a mais de 48 quilômetros dela (a menos que entrassem em guerra). Quero dizer, as pessoas nasciam na Inglaterra, a cem milhas de Londres; e nunca viram Londres. Eles viveram e morreram sem vê-la. Eles exerciam o ofício que sua família exercia, eles se casavam com a garota da casa ao lado, permaneciam casados ​​com ela por toda a vida, criavam filhos que efetivamente assumiriam o comércio quando eles morressem. Nesse mundo, os romances, com sua promessa de novidade, eram um sopro de ar fresco. Eles o levariam vicariamente a lugares que você nunca iria. Eles o apresentariam a uma gama muito maior de pessoas. Se você estava entediado com as dezessete pessoas que você via todos os dias em sua aldeia, eis aqui outra pessoa que você conheceria, e todos eram novos.
Agora, você olha o que existe nos Estados Unidos. Quando falamos sobre a América hoje, você tem uma sociedade completamente móvel. Digo, eu olho para minha própria vida. Nasci em Bayonne, Nova Jersey. Fui para a faculdade nos arredores de Chicago, que fica a milhares de quilômetros de distância, deixando pra trás todos os meus amigos em Bayonne, perdendo o contato com eles, fazendo novos amigos na faculdade. Eu me mudei . . . na verdade, fui para a escola em Evanston, ao norte de Chicago, e depois me mudei para Chicago [enquanto] meus amigos da faculdade se espalharam por todos os Estados Unidos, e eu conheci outro grupo de pessoas enquanto trabalhava nos meus primeiros anos em Chicago. Ensinei na faculdade em Dubuque, Iowa, novamente me mudando, e depois fui para Santa Fe e depois para Los Angeles. Então, eu estou com quarenta e poucos anos e tive cinco grandes movimentos de milhares de quilômetros na minha vida, o que geralmente significa ter tido um conjunto completamente diferente de amigos. Tive várias carreiras diferentes: ensinei em faculdade, fiz torneios de xadrez, fui escritor, fui roteirista de televisão (o que é diferente de ser escritor de livros). Eu fui casado e divorciado e já estive em vários outros relacionamentos. (Agora estou em um relacionamento há bastante tempo). E sou estável em comparação com algumas pessoas! Quero dizer, há imensa mobilidade em curso.
Eu acho que essa atual é uma cultura em que nada é estável. Ou seja, passa o mais longe possível da cultura que produziu o romance. Digo, sua profissão não está definida, as pessoas estão sempre mudando-a durante a vida. Eles chegam aos quarenta e cinco e decidem: "Bem, eu não quero mais ser advogado, apesar de ter sido treinado para isso a vida toda. Agora, quero navegar de barco pelo mundo". Eles se casam, se divorciam, perdem contato com todos os amigos. As famílias nem ficam mais em contato. Assim, a ficção, que nos fornece vicariamente as coisas que não recebemos na vida, a ficção nos dá estabilidade. Digo, vinte anos podem ter se passado, você pode ter um emprego diferente, você mora a duas mil milhas de onde começou, é casado com alguém diferente, mas Star Trek ainda é o mesmo. Você pode voltar lá, e aqui está esta pequena ilha onde Kirk e Spock ainda vão discutir um com o outro, e eles são quase como que amigos seus, com quem você sempre pode contar para estarem lá. Você não irá ligar para um amigo antigo - e ele se transformou em alguém que você não conhece. Kirk nunca se transforma em alguém que você não conhece. Ele sempre permanece sendo Kirk. E o que eu consigo perceber sobre o sucesso das séries, mesmo dentro do ramo, está sempre relacionado aos personagens. Existe uma relação muito forte com os personagens. Digo, se você participa de um painel chamado Writing the Science Fiction Novel, você recebe perguntas gerais da platéia sobre "Como eu vendo meu romance?" [e] "Como começar quando se escreve um romance?" Você nunca recebe perguntas específicas sobre o livro. Se você aparece em painel sobre Wild Cards ou Thieves World, você recebe perguntas como: ​​"Eu não gosto do que você fez com Hiram Worchester. Quando você vai ajudá-lo?" ou "Você vai dar um descanso para o Tartaruga?" ou "Por Deus, eu não suporto esse tal de Fortunato. Ninguém vai dar um soco na boca dele?" Digo, as pessoas formam esses relacionamentos intensos de amoódio com determinados personagens, e acho que isso é acontece com todas as séries.
E: Muito obrigado.
GM: Claro, o prazer é meu.
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2019.09.15 19:11 YareYareDaze007 Minha "breve" história amorosa

Essa História que será aqui contada, nesse livro, é a jornada de um garoto chamado Giovane, um garoto quieto, de poucos amigos, porém muito estudioso, sempre tirava boas notas na escola. E é exatamente lá que nossa história começa.
No ano de 2017, nosso protagonista está sentado tranquilamente em sua mesa, na sala de aula, quando repentinamente ao olhar de relance para a porta, ele percebe alguém entrando, mais especificamente uma garota, uma linda garota, que instantaneamente desperta o encanto de Giovane. Vale lembrar que naquela época, ele era um garoto de 13 anos, sem nenhuma preocupação além de vídeo-games e estudos, mas tudo aquilo estava prestes a mudar. Naquele momento, ele havia descoberto o amor, que muitas vezes pode ser comparado à uma benção ou maldição. Ao ver a garota de nome desconhecido entrar, Giovane logo ficou surpreso com tamanha beleza, porém no momento não fez muita coisa. Apenas voltou aos estudos e tentou não pensar muito naquilo, porém era quase impossível, a cada conta que fazia, a cada texto que lia, a imagem da garota continuava a aparecer em sua cabeça. O que era muito ruim, considerando o fato de Giovane sempre dar muita importância aos estudos, aquilo estava o atrapalhando. Mas logo o nome da garota foi revelado: Sabrina. Giovane ouvira a professora dizer esse nome na chamada e viu a garota responder.
Não demorou muito para ele se dar conta do que havia acontecido. Ele sabia que estava sob o efeito da droga mais poderosa que existe: O Amor. E para o amor não existe cura, apenas o tempo, que foi justamente o que decidiu fazer: dar um tempo e ver o que acontecia. Giovane Não tinha ideia de como os eventos se desenrolariam dali em diante, não sabia o quanto sofreria pensando nela.
Passado algum tempo, cerca de 3 meses, e o amor de Giovane por Sabrina continuava aumentando, como uma fogueira que é atiçada pelo vento. No entanto, uma dúvida ainda pairava sobre sua cabeça: O sentimento era recíproco? Sabrina via Giovane com outros olhos? Ele não sabia, e isso estava o enlouquecendo.
Um mês depois do acontecimento anterior, ele havia pensado em uma maneira de acabar com suas dúvidas, era o único modo que nosso protagonista havia pensado: Falar à Sabrina sobre seus sentimentos. Porém, Giovane era um garoto extremamente tímido, o que deixava essa hipótese quase impossível. Ele tinha medo de contar o que sentia e não ser correspondido, ou ainda pior, ser ridicularizado pelas pessoas ao redor da escola. Chega o fim do ano e Giovane não havia conseguido se declarar. "Meu Deus, mas e se ela não estiver aqui o ano que vem? " Pensava.
2018, início do ano. E para sua surpresa, ele estava na mesma sala que Sabrina. Seria o destino dando uma segunda chance a ele? Talvez. E como dito anteriormente, seu amor não diminuía, apenas crescia dia após dia. Nosso protagonista tem 14 anos agora, muito mais maduro, certo? Errado! Ele continuava com uma ideologia de " deixar o rio fluir ", ou seja, não fazer nada e deixar que o destino cuidasse do resto. Claramente essa tática não deu certo. Porém, Giovane possuía um amigo chamado Marcos, cujo qual se dava muito bem com as mulheres. E fui justamente a ele que Giovane foi pedir ajuda. E acontece que Marcos era realmente bom no que fazia, e milagrosamente conseguiu fazer Sabrina se aproximar consideravelmente de nosso protagonista, que estava pensando sobre a vida e as decisões que havia tomado e aparentemente não interagindo com Sabrina, o que fez Marcos aparecer e talvez ter causado o maior arrependimento da vida de Giovane. Ou não? Marcos chegou conversando com ambos e acabou deliberadamente por falar que Giovane estava apaixonado por Sabrina, o que deixou nosso protagonista completamente paralisado, como se tivesse visto um fantasma, sem nada para dizer, como se tivesse visto a morte cara-a-cara. E Sabrina pareceu incrédula do fato, tanto que até se levantou da cadeira na qual estava sentada e estava se dirigindo a seu lugar, quando Marcos a parou e tentou argumentar com ela, mas nada parecia dar certo. Enquanto isso, nosso protagonista continua sentado imóvel na mesma posição que havia começado a conversa. Passados cerca de 3 minutos, Sabrina chega à mesa de Giovane e pergunta:-O que aconteceu?
-Nada. Diz Giovane
-Você está com cara de bravo. Foi alguma coisa que eu fiz?
-Não, não foi nada.
E Sabrina sai daquela mesa e volta para a dela.
A partir daquele dia, Giovane se tornou outra pessoa, alguém completamente novo. Ao invés do garoto alegre e piadista de sempre, ele havia se tornado alguém quase depressivo, não falava quase nada, passava horas parado pensando na vida, não fazia mais tantas piadas. Até o dia 10 de agosto de 2018, quando ele decide que não vale mais a pena sofrer tanto por conta de falta de coragem. Na escola, durante a aula de geografia a lição era fazer um mapa-múndi e foi o que nosso protagonista fez, porém Marcos tinha um plano para ambos ganharem nota apenas com o esforço de Giovane, que aceitou ajudar já que poderia precisar de algum favor de Marcos algum dia. E foi um plano, absurdamente bem bolado, executado com maestria e finalizado com êxito.
Na noite daquele mesmo dia, Giovane decide cobrar a ajuda que ofereceu à marcos. Mandou uma mensagem para ele e combinou que iriam executar um plano para que nosso guerreiro Giovane tivesse a coragem de se declarar à belíssima donzela Sabrina. Marcos a convenceria a segui-lo e passaria por um local combinado, onde Giovane apareceria e abriria seu coração para ela, acabando de uma vez por todas com isso, do jeito bom, que Giovane sairia com uma namorada e se livraria de sua tristeza ou do modo ruim, que era o que Giovane achava mais provável, onde ele seria completamente rejeitado e jogado à depressão para sempre, porém esquecendo de Sabrina. Nada poderia impedir esse plano de funcionar.
Exceto uma coisa: O esquecimento de Marcos que não conseguiu atrair Sabrina até o local combinado, o que fez com que Giovane saísse vagando pela escola envolto em seus pensamentos, e andando sem parar, para praticar pelo menos de alguma maneira, algum exercício, contudo ao fazer a volta na escola várias e várias vezes, no caminho Giovane se deparava com Sabrina andando com uma amiga e seu namorado, e durante algumas dessas vezes ele pôde ouvir claramente a amiga de Sabrina dizer: " quem quer catar a Sabrina? " Duas vezes na mesma hora em que ele estava passando e ainda ouviu mais uma última vez: " Ela está se doando ". Giovane estava começando a ligar os pontos, tudo começava a fazer sentido em sua cabeça. A vontade dele era alterar o curso de sua caminhada e abrir seu coração a ela, porém se fizesse isso, ele estaria desperdiçando um favor de Marcos, então Giovane Simplesmente continuou sua jornada de volta à sala de aula. Ele estava prestes a descobrir o significado de tudo que aconteceu.
No final daquele dia, Giovane decidiu perguntar à marcos se ele havia se esquecido. E de fato ele havia, no entanto se ofereceu para fazer o mesmo plano no dia seguinte. Giovane concordou.
Terça-feira, 14 de agosto de 2018, nosso protagonista vai para a escola apreensivo pensando em como vai ser, no que ele vai dizer..., mas durante a aula de história, nosso herói percebe que Sabrina estava muito impressionada com o professor novo. Estaria ela realmente afim do professor? Ou seria apenas uma brincadeira? Ele não sabia e isso o deixava apreensivo. Na próxima aula, a de matemática, a professora havia mudado Sabrina de lugar. E coincidentemente, o lugar que ela foi designada era bem perto do lugar de Giovane. Seria esse o destino colaborando mais uma vez para que tudo desse certo em sua vida?
No recreio, tudo estava combinado com Marcos. Só lhe restava sair da sala e seguir com o plano. Acontece que um amigo de nosso protagonista, conhecido pelo codinome Sem Mão, decidiu segui-lo e ver o que aconteceria e como acabaria. Giovane conta o plano à Sem Mão, que fica impressionado e diz que aquele plano era como fazer roleta russa com 5 balas. No entanto, Marcos demorou muito para fazer o plano e quando fez, não fez corretamente: Ele simplesmente disse para Sabrina que Giovane gostaria de conversar separadamente com ela, enquanto nosso protagonista apenas passava por ela e ia direto ao banheiro, pois estava muito tenso. Acaba o intervalo e Giovane se dirige à sala de aula. Na última aula, logo em seguida da de educação física, todos voltam para a sala e se preparam para a aula de matemática e provavelmente a coisa mais inesperada desse livro acontece: Ele pensando na vida como sempre, consegue ouvir Sabrina e Vinícius, um outro colega de sala, discutirem sobre voltar ao lugar anterior deles, e de repente ouve ela dizer que aquele lugar era bom porque ela conseguia ter uma boa vista de uma coisa. Instantaneamente nosso protagonista percebeu que essa "coisa" era nada mais nada menos que ele mesmo, até porque em certo momento dessa conversa ele pôde perceber Vinícius responder: Do G? Que foi logo respondido com uma resposta de Sabrina: Por que você não grita logo de uma vez?! Seguido disso, Vinícius em tom de brincadeira, aumenta levemente sua voz e repete a frase anterior. A teoria das cinco balas de Sem Mão acabara de ser refutada, pois com essas informações, suas chances aumentaram consideravelmente, deixando a arma com apenas uma bala. Estava muito claro para Giovane que Sabrina aparentemente gostava dele, mas não queria que isso fosse exposto. Passado certo tempo da aula, mais uma vez Sabrina diz que é um bom lugar e que ela consegue observar muito bem essa "coisa" e foi respondia por Vinícius: Mas do seu lugar anterior, você também consegue ver. E logo veio a resposta: Sim, mas daqui eu consigo ver mais de perto, logo esse lugar é melhor. Ele sabia que, ou se tratava dele ou de algum de seus amigos que sentavam perto, e estava bem convencido de que se tratava dele. Nesse momento, Giovane estava pulando de alegria por dentro, mas por fora só se via sua expressão mais comum: a de indiferença. Ninguém simplesmente olhando, poderia saber a felicidade que residia dentro de Giovane naquele instante. Ele foi para casa se sentindo renovado e feliz, só não voltou saltitando por motivos de masculinidade. O que aconteceria depois?
No dia seguinte, Giovane não foi para a escola. Ele havia ido ao médico, e como o sistema de saúde do Brasil não é dos melhores, não conseguiu voltar a tempo de ir para a escola. Ainda nesse dia, pela primeira vez ele decide tirar seu bigode e por incrível que pareça, se achou mais bonito e se sentiu deveras confiante em sua jornada. Por volta das 18 horas, conversa por mensagens com seu amigo Sem Mão e lhe conta sobre o que havia descoberto ouvindo aquela conversa, e para desanimar um pouco nosso herói, Sem Mão diz que o "G" mencionado na conversa, poderia ser de Gustavo, outro aluno da mesma sala, mas Giovane prefere acreditar que ela se referia a ele. Logo em seguida, começa a conversar com Marcos, que também fica ciente da situação e diz:
- Ela está brincando com você, cara...
- Não, estou tão confiante que apostaria cinco reais que ela não está brincando!
- Cinco reais? Apostado então! Mas para você ganhar, ela tem de deixar explícito que aceita você. Assim como para eu ganhar, ela deve deixar explícito que rejeita você.
- Claro.
Giovane não possuía cinco reais, nem sabia onde conseguir, mas estava confiante.
16 de agosto de 2018, nosso protagonista aparece na escola e diferentemente do último dia, não parecia tão tenso, parecia até mesmo confiante do que iria fazer. Logo Marcos apareceu:
- Está fechada a aposta de hoje?
- Com certeza!
- Você sabe que vai perder, né?
- Certamente que não, estou tão confiante que nem trouxe o dinheiro, como sinal de que sei que não vou falhar! – Cada frase que nosso protagonista falava, era dita com convicção.
- Se está tão confiante assim, suba a aposta para dez reais!
Giovane pensou por alguns segundos. Ele não tinha esse dinheiro em mãos, mas para mostrar confiança à Marcos e a si mesmo, subiu a aposta.
- Feito!
No instante que disse isso, o sorriso malicioso que habitava o rosto de Marcos fora substituído por uma expressão de espanto. Não podia acreditar que nosso herói estava tão confiante. Porém, durante toda essa conversa na aula, Marcos decide contar à professora de ciências sobre a aposta, e para a surpresa de ambos, ela havia achado uma aposta interessante.
15:30, havia chegado a hora do intervalo, a hora da verdade. Quando pôs o pé para fora da sala de aula, soube que duas coisas importantíssimas estavam em jogo: Seu futuro amoroso e dez reais, que podem não parecer muito, mas na época que o país estava... Ele achava que seria fácil, mas estava muito enganado, pois quando estava fazendo o reconhecimento do melhor lugar para a abordagem, pôde sentir sua perna fraquejar. Depois de dar algumas voltas na escola e consequentemente acabar encontrando com Sabrina no caminho, ele havia achado que estava pronto e quando foi procurar seu alvo em movimento, não o encontrou, no entanto, logo descobriu que ela estava sentada, com sua amiga já mencionada anteriormente. Não havia mais escapatória, teria de se declarar na próxima volta e podia sentir seu coração bater cada vez mais forte ao se aproximar do local. Infelizmente, ao chegar e estar preparado, se depara com mais 4 garotas conversando com Sabrina e sua amiga, o que fez nosso herói alterar o curso e ao invés de parar, acabou seguindo sua trajetória comum. Faria na próxima volta, não importava o que acontecesse, porém, ao chegar novamente e ver que só estavam ela e sua amiga sentadas, não conseguiu. Era como se uma força desconhecida o impedisse.
Bate o sinal para todos voltarem para suas salas de aula e nosso protagonista entra e percebe que teria uma aula vaga, e logo seu lamento em não ter conseguido se declarar, se tornou em forças para tentar agora que não haviam tantas pessoas lá fora. E mais uma vez não conseguiu, até que Sem Mão propõe um desafio: reproduzir um desenho de seu amigo Raul, um cara vidrado em desenhar, e Giovane aceita, pois ficar andando e se lamentando não era a melhor atividade. Chegando onde Raul estava, Sem Mão explica o desafio, porém, por algum motivo Raul pega uma folha e corta em duas, dando uma parte para Sem Mão e outra a si mesmo. Giovane não se importa. Na verdade, parecia não se importar com mais nada depois de ter fracassado em conversar com uma garota. Sem Mão reproduz um desenho de um homem com terno roxo e gravata que Raul havia feito. A única diferença, no entanto, foi que sua reprodução ficou parecendo o cruzamento de um desenho de uma criança sem talento com um feto malformado em um pote com formol. Após isso, aparentemente Sem Mão ficou tão entediado quanto nosso protagonista e decidiu voltar a andar, quando de repente veem Marcos e o namorado da amiga de Sabrina tentando tirar a namorada de Marcos e a amiga de Sabrina de um banco no qual estavam todas sentadas. Giovane pensou que poderia ser Marcos querendo ajudá-lo a conseguir, mas qual seria sua motivação além de perder dinheiro? E eles conseguiram tirar as garotas do banco, deixando Sabrina sozinha, que decidiu levantar e começar a andar, mas nosso herói não pensou em abordá-la, simplesmente não tinha a coragem para isso. E acontece que ele era um cara muito corajoso quando se tratavam de brigas e tudo mais (até enfrentou um bando de garotos que estavam o incomodando uma vez), mas quando se tratava de garotas, ele não sabia o que fazer. Depois disso voltou para a sala a tempo de acompanhar as duas últimas aulas de geografia. Contudo, no final da última aula, Marcos veio conversar com nosso herói:
- E aí cara, cadê meus dez reais?
- Eu não falei com ela, logo não tomei um fora, o que significa que eu ainda fico com meu dinheiro.
- Porra, cara. Qual a dificuldade? É só chegar lá e falar " eu estou afim de você, vamos ficar juntos? " E acabou.
- Se fosse tão fácil assim, eu já teria feito há um ano e oito meses atrás...
- Mas é fácil!
- Não para mim. Me falta coragem.
Então Marcos decide tomar uma abordagem mais agressiva.
- Olha lá a bunda dela como é grande! Você não quer ter isso?
Giovane continuava dizendo que não tinha coragem.
- Olha lá, o cara foi dar tchau para ela e passou a mão na bunda dela! E ela ainda deu risada! Você vai deixar o cara fazer isso com sua futura esposa?
O sangue de Giovane fervia, como se ele mesmo fosse explodir a qualquer momento, mas ele era um cara calmo e conseguiu se manter normalmente apenas dizendo " calma e tranquilidade " a si mesmo enquanto Marcos dizia:
- Se amanhã você não conseguir, você vai ter de dizer para todo mundo que você é um merda e eu sou superior!
- Okay, já me considero um merda normalmente...
Mas aquela conversa lhe deu forças para o que ele faria no dia seguinte.
Dia 17 de agosto de 2018, nosso herói está prestes a sair de casa, enquanto seu pai assistia tevê, e de relance, pôde ver a notícia mais bizarra que já havia visto em toda a sua vida: " Homem-Aranha do crime " que aparentemente era um ladrão que escalava prédios tão bem que recebeu esse nome.
Chegando na escola, pronto para fazer um trabalho de artes, acaba descobrindo que haveria outra aula vaga, já que sua professora tinha faltado, o que o deixou feliz e enraivecido. Quando já havia saído da sala e estava andando pela escola, começa a falar com Sem Mão desse livro que está sendo escrito agora mesmo.
- Vai ter muita coisa nesse livro!
- Essa conversa também?
- Provavelmente, já que eu vou colocar qualquer coisa que pareça insignificante o suficiente no lugar de alguma informação que seria crucial, ou seja, essa conversa vai direto para ele.
- Bem, isso não seria meio que...
- Um Inseption muito foda!
- Eu ia dizer quebra da quarta parede, mas Inseption também está valendo.
- Não é bem uma quebra da quarta parede. Eu só estaria fazendo isso se eu dissesse: " Ei, você aí que está lendo esse livro, como é que você está? "
- É, realmente...
Ao andar, se deparava algumas vezes com Sabrina andando com Marcos e outra pessoa não apresentada anteriormente: Kauã. Em algum momento, Marcos tentou parar Giovane o empurrando e lembrando que ele tinha de concluir sua tarefa naquele dia, ou então seria um fracassado.
- Você tem até hoje para conseguir.
- Veja bem, meu amigo, até a meia-noite ainda é hoje.
E essa foi uma sacada bem esperta, tenho que admitir. Enfim, nosso protagonista continuou andando um pouco até que...
- Giovane! Chega aqui! – Disse Marcos aos berros sentado em um local perto de uma árvore.
- Porra... – Disse Giovane.
E foi andando até chegar a ele.
- Que foi, cara? – Perguntou em tom de desânimo.
Eu preciso que você tire uma foto.
" Uma foto? " Pensou Giovane, achando que poderia ter um esquema armado por Marcos.
- Ok, vamos lá!
E foram caminhando em direção à uma outra parte da escola. Quando chegaram, nosso herói se pôs em posição e segurando o celular de Marcos, estava pronto para fotografar. Enquanto olhava para a tela do celular, podia ver Sabrina e sua beleza, ao mesmo tempo que pensava " Caralho, eu sou um merda meu irmão! " E tirou a foto. No entanto, o que não sabia, é que quando já ia se retirando do local, Marcos o chamou e disse:
- Não, cara. A gente só quer que pegue essa parte da parede.
- Ah, ok.
E novamente estava em posição observando Sabrina pela câmera, e logo tirou outra foto. E dessa vez, conseguiu voltar à sua rota sem ser chamado mais uma vez. Andava e andava, sem rumo, sem destino, sem coragem, quando com sua super audição pôde ouvir Sabrina discutindo com Marcos, atrás dele.
Ouvindo isso, ela decide desafiar Marcos para uma briga, e ele logo se acovarda. Como Giovane, ele não tinha coragem. Quanta hipocrisia, não é mesmo, caro leitor? No entanto, ele logo teve uma ideia.
- Vai lá e usa essa raiva no Giovane!
E Giovane continuava andando na frente apenas ouvindo essa conversa, quando foi chamado.
- Giovane! Chega aqui!
E lá ele foi conversar com ele.
- O que foi dessa vez?
- A Sabrina quer te dar um soco.
Mas ela não queria.
- Não, eu não vou! – Disse ela.
- Por que não? – Perguntou Marcos
- Porque eu estou com raiva de você, não dele!
Mas depois dessa breve conversa, Giovane notou um olhar de Sabrina dirigido ao nosso herói. Sabrina realmente teria olhado para ele da forma que imaginava? Ou só estava ficando louco? Descobriria tudo isso em breve...
Dia 18 de agosto de 2018, sábado, por volta das 22:30 da noite Giovane é contatado por Marcos com uma mensagem:
- E aí, cara?
- Opa.
- Tudo beleza, cara?
- Tudo de boa.
- Então, cara... eu acho que você perdeu a aposta.
- Não, pois a aposta não tinha prazo. A única coisa que tinha prazo era eu dizer que sou um merda e a sexta já passou, então você foi enganado...
- Aí é que está, meu amigo quem está se enganando é você mesmo. O único que está sofrendo por amor é você.
- Sim, mas ainda assim, a cada dia minha coragem vai aumentando...
- Não se iluda meu pobre amigo. Esse seu coração não merece sofrer!
- Eu estou apenas contando os fatos.
- Não ame aquela garota, ela não merece você.
- Se fosse tão fácil assim... E você não vai me fazer desistir, porque sou brasileiro e brasileiro não desiste nunca!
- Entendo, apenas não quero que sofra por algo que não tem futuro.
- Eu já sofri para caralho, eu tentar isso não vai aumentar a dor que eu sinto por não estar ao lado dela.
- Você realmente quer isso, não quer?
- Sim, porra!
- Para que você possa ver que eu não estou mentindo. Eu nunca disse isso para você, porém... eu realmente não tenho nada para fazer.
- Etcha porra!
- Sim, essa foi a única palavra que você nunca me ouviu dizer.
- E qual seria? – Perguntou Giovane apenas para ver Marcos admitindo que estava tão perdido quanto ele.
- Eu não sei o que fazer.
- Ca ra lhou.
- Por conta dela, não tem muito o que fazer.
- Isso mostra que é um caso absurdamente difícil.
- Sim, porém não impossível.
- Até porque nada é impossível, exceto o Palmeiras ganhar um Mundial. Isso é impossível.
- Kkk verdade. Como eu já vi que você não vai desistir da Sabrina...
- Certamente que não.
- Eu vou pelo menos tentar ajudar.
- Que bondoso.
- Porém, como nada na vida é perfeito, eu vou usar minhas técnicas...
- Caralho. Tenho trauma dessas técnicas.
- Pode apostar! Até porque, eu aprimorei elas...
- Acho bom mesmo, kkk
- Porém não foi para um lado bom! Foi para um lado mais extremo.
- Puta merda.
- Eu já pensei no que vou fazer. Funciona muito em filmes e novelas.
- Diga-me.
- Vou trancar vocês dois, em algum lugar sozinho.
- Caralho. – Giovane já sabia que aquele plano não iria funcionar, porém decidiu ouvir até o fim.
- Vai ser perfeito. Você vai ver, aí é por sua conta. Na verdade, a parte mais difícil sempre vai ser para você.
- Eu estou com um certo medo do que pode acontecer.
- Ela pode falar tudo que sente por você, ou ela pode ficar de fato com você.
- Ou pode não acontecer nada.
Depois de um tempo de conversa Marcos se convenceu de que seu plano não era dos melhores. Até que disse:
- Eu te ajudo e você me ajuda. Eu te ensino o que sei, e você o que sabe...
- O que exatamente você precisa?
- Eu quero saber como você pensa tanto e quero saber como você é tão concentrado, etc....
- Caralho, sério?
- Sim.
- Ok, aqui vai. Não tem segredo: Você só tem que pensar que sua vida dependesse daquilo. Mas, o lance de ser pensativo, acho que é porque eu não tenho muito o que fazer, apenas pensar.
- Ótimo!
- Espero ter ajudado.
- Ajudou sim, muito obrigado. Agora o que você precisa?
- Fora o lance da Sabrina, nada.
- A melhor opção seria chegar nela em alguma hora em que ela estivesse sozinha ou falar que é uma conversa em particular.
- Sim, o lance é que eu preciso de coragem.
- Quer saber, você transmite confiança. Algo que eu queria muito transmitir.
- Só reprimir suas emoções e mostrar nos momentos mais cruciais.
- Como assim?
- Você nunca sabe se eu estou feliz ou triste, certo?
- Certo.
- Mas as minhas emoções mudam. Tudo que eu faço é mostrar o que eu quero que os outros vejam: A minha cara de indiferença de sempre.
- Porra.
- É basicamente só isso.
- Valeu, cara.
- Você me ajuda muito, estou retribuindo.
- Muito obrigado. Mesmo, cara.
- Não há de quê.
Dia 19 de agosto de 2018, Marcos envia uma mensagem por volta das 21:00 para Giovane:
- Cara, estamos na mesma situação. Eu me apaixonei e ela não dá bola para mim. Fudeu, eu me apaixonei. Isso não é natural no universo.
- Vamos conversar.
- Fudeu.
- Você se fodeu.
- Sim, Fudeu. Eu me apaixonei e isso não é normal da porra da natureza! Eu sou Marcos Ribeiro, não posso me apaixonar!
- Agora sente o que eu sinto há quase dois anos. Não é fácil quando é com você, né?
- Literalmente não. Mano, ela é maravilhosa e não me dá bola. Nem com meus truques e experiência não consigo.
- Você sabe que se eu conseguir ficar com a Sabrina e você não pegar essa mina, o mundo deu uma puta volta.
- Sim.
- Algo de errado não está certo.
- Nem um pouco. Mas, mano ela é perfeita! Pensa na Sabrina e multiplica por 20.
- Impossível!
- Juro.
- Para mim não existe nenhuma garota na face da terra que se compare à beleza da Sabrina. Acho que o amor faz isso...
- Mano, Fudeu. Eu me apaixonei. Pera aí...
- Eu poderia ser muito cuzão e não ajudar, mas você tentou me ajudar, então farei o que puder.
- Pronto. Não sou mais apaixonado.
O amor não é brincadeira de criança, é coisa séria e não se livra do amor tão rapidamente. E Giovane sabia disso, então ou Marcos não estava apaixonado desde o início, ou ainda estava apaixonado ou talvez estivesse inventando tudo aquilo.
- Ata kkk.
- Sério, passou. Eu me controlei.
- O amor vai e vem como uma montanha-russa.
- Não. Não comigo.
E foi então que nosso herói se preparou para fazer um dos melhores discursos de todos os tempos.
- Você pode ter esquecido agora, mas vai pensar nela de novo. E aí fodeu. Mas, se tem uma coisa que eu aprendi é que você tem que insistir...
- Não. Foda-se.
- ... até não ter mais forças. Você não vai esquece-la, apenas aceite o destino. Se você não tentar, alguém vai e você vai ficar muito arrependido. Então você não vai desistir, porra! Logo você, o cara que me incentivou a correr atrás da Sabrina, não pode simplesmente desistir. Essa pode ser a mulher da sua vida, então você teria que ser muito burro para deixar de tentar. E é por isso que você vai correr atrás dela.
Esse foi um puta discurso. Foi tão bom que parece que foi redirecionado a si mesmo e deu forças para ele fazer o que faria amanhã.
Dia 20 de agosto de 2018. O que nosso herói fez? Nada! Até tentaria falar com Sabrina, mas o problema é que não a via. Ficou todo depressivo por passar mais um dia sem conseguir e foi para casa. Chegando lá, sente uma certa fome e decide fazer uma omelete. Uma coisa que deve ser dita anteriormente, é que independente de quanta pimenta do reino colocasse, não conseguia sentir a picância que deveria. Fazendo a omelete, coloca pimenta do reino e seus dedos ficam sujos. Logo vem seu pai, com uma má intenção.
- Lambe a pimenta aí para você ver que não arde quase nada.
Giovane confiava em seu pai então provou e por um segundo pensou " nossa, não arde mesmo ", mas estava muito enganado e arrependido, pois depois de dizer isso, pôde sentir sua língua queimando como carvão em brasas, então pensou " vou tomar um copo de leite e estará tudo resolvido ", acontece que no momento a caixa de leite que estava na geladeira, havia acabado e Giovane teve que esperar cerca de trinta segundos de pura dor e sofrimento até conseguir abrir outra caixa de leite.
Esse pequeno conto não interfere em nada nossa história, mas achei que deveria ser compartilhado.
Quinta-feira, 23 de agosto de 2018. Nosso herói já está na escola durante a terceira aula, esperando o sinal para o intervalo. Ao ouvi-lo, Giovane, como sempre, começa a andar em voltas, porém, mais uma vez se depara com Sabrina, mas dessa vez ela não está andando, e sim parada com algumas garotas, o que eliminava completamente a possibilidade de tentar fazer seu plano, então apenas segue seu caminho. Voltando para a sala, ele não sabia, mas sua vida que já era depressiva, estava prestes a ficar pelo menos três vezes pior, por um tempo. Ao entrar e sentar em sua cadeira, pôde ouvir Yasmin, sua prima, dizer claramente que era um cupido, logo em seguida Sabrina conversa com alguém que ele não conseguira identificar, mas ouve a seguinte frase durante a conversa " Eu virei e dei um beijo na mina ". Naquele momento, não sabia o que fazer. Seus olhos começaram a lacrimejar como se estivesse cortando um milhão de cebolas enquanto um anão tailandês chicoteava suas costas. Sentiu que todo o sentido de sua vida havia acabado, sentiu-se como se o chão que estava aos seus pés havia desabado. Para esconder sua tristeza de todos e de si mesmo, Giovane adotou um comportamento bem agressivo, mas enquanto conversava com Marcos ouviu-o dizer:
- Vamos fazer uma aposta amanhã. Tipo os gringos jogam pôquer e apostam salgadinho essas coisas, já a gente que é fudido aposta bala. A gente poderia, sei lá, jogar algum jogo de azar tipo pôquer, truco...
- Eu toparia um truco. – Disse nosso protagonista.
- Ok, então amanhã todo mundo traz bala para apostar e a gente joga um truco.
Chegando em casa, de noite, Giovane decide contar a seus amigos sobre o motivo de ter ficado tão furioso a partir do intervalo, exceto por uma parte que ele não conseguia parar de rir como se fosse um retardado " Bebidas Xabás ". E ao contar para Semeão, ele recebe um discurso motivacional quase tão bom quanto o que havia feito para Marcos.
- Giovane, sabe o que você precisa?
- O que?
- TVNC
- Wtf?
- Tomar vergonha na cara.
- Porra, semeon.
- Criar coragem e ir.
- Sim. Só preciso do meu bigode, ele me transmite segurança.
- Não deixe que coloquem o dedo na sua cara e digam quem você é!
- Minha autoestima começou a subir...
- Virou mó conversa motivacionap. Maldito correto. R.
- Maldito analfabetismo!
- Cara, você é o cara!
- É bizarro que eu nunca pensei que não conseguiria por falta de coragem, mas sim por rejeição.
- Você vai conseguir. Se tiver a lábia mais do que perfeita, você é imbatível!
- Sim, eu só preciso chegar nela.
- E puxar um bom papo.
- Com puxar um papo, você deve saber que eu vou chegar fazendo a proposta.
- Hum, é mesmo?
- Se a porra do Marcos tivesse seguido o plano...
- Então quando você chegar nela, já sabe...
- Agora tenho que ir.
- Vou recobrar o favor do Marcos, mas falous.
- O Kauã está mandando eu jogar com ele.
- Olha só, escravatura, mas falous.
Naquele mesmo dia, ele cobrou o favor e Marcos concordou em ajudar.
Dia 24 de agosto de 2018, na escola durante a primeira aula que deveria ser de artes, mais uma vez é uma aula vaga. Ao andar com Sem Mão e Raul, como sempre nosso herói se depara com Sabrina sentada com algumas amigas. Dando algumas voltas, durante uma delas, ao passar pelo grupo de garotas, nosso protagonista consegue ver claramente Sabrina olhar diretamente para ele por cerca de três segundos. E não era qualquer olhar, era um olhar tão certeiro que não havia a possibilidade de ela estar olhando para algum outro lugar. Esse fator somado às informações que Giovane havia conseguido ouvir ao longo do tempo, lhe dava uma chance de 99% de Sabrina estar afim dele.
Feliz para cacete, depois que a aula vaga acaba, volta para a sala e vai fazendo as lições até chegar a última aula de geografia. Todos haviam se lembrado do que Marcos havia combinado sobre o truco. Mas ninguém trouxe um baralho.
Depois de tudo isso, com sua confiança, nosso herói faz uma das coisas que mais se arrependeria em sua vida, ele decide aumentar a aposta que havia feito com Marcos para 20 reais. Se ele conseguisse, seria ótimo ganhar esse dinheiro, mas Giovane não pensou no caso de não ganhar a aposta, pois estava cego pela ganância do dinheiro fácil. Marcos aceita a proposta e dessa vez foi mais esperto por ter colocado um prazo de dois dias na aposta.
Durante alguns dias, nada de tão importante acontece que deva ser mencionado nesse livro. Isso até o dia 30 de agosto de 2018...
Giovane decide que pediria Sabrina em namoro durante o recreio, mas para isso precisaria da ajuda de Marcos, que concordou em ajudar depois de certas negociações.
É chegado o intervalo e a tensão estava subindo, até porque agora além de Sabrina, 20 reais estavam em jogo, e nosso herói não tinha nem perto disso...
Giovane anda durante o recreio procurando Marcos e acaba o encontrando.
- Então, cara... agora seria uma ótima hora para aquela ajuda...- Disse nosso protagonista.
- Ah, sim claro, claro... A gente só precisa encontrar a Sabrina...
E lá se vão Marcos, Giovane e Thiago (Não o Sem Mão) procurando a garota. Até que Marcos tem uma genial ideia (sem sarcasmo).
- Giovane, faz o seguinte: fica ali na árvore que eu vou ver se eu encontro ela e chamo-a aqui.
Nosso herói concordou com a cabeça e foi se dirigindo à árvore. Chegando lá, não parava de pensar o que iria dizer, até que de relance, consegue ver Marcos caminhando com Sabrina em sua direção. Eles haviam chegado.
- Então, o Giovane tem um negócio para te falar...
"É agora", pensava Giovane. Não havia mais escapatória.
- É então, é sobre o lance que eu ia falar ontem... Sabrina eu sou absurdamente afim de você, e você sabe disso, então... quer namorar comigo?
- Então... no momento eu não estou disponível..., mas se quiser a amizade, estamos aí.
Ele se sentia arrasado, detonado, zuado, fudido, quebrado.
Aquelas palavras ecoaram na cabeça de Giovane, que agradeceu a Sabrina por ter cedido seu tempo e foi embora andando. Por incrível que pareça, ele se sentia libertado. Triste, porém, libertado.
E nossa história termina aqui com um final não tão feliz(ou será que não?).
E com essa finalização, eu agradeço por ter tirado um tempo do seu dia para ler isso.
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2019.09.10 04:41 mgramigna4L A Rainha dos Desamparados

Pedro acorda assustado. Ele olha ao redor e não reconhece nenhum elemento que o rodeia. Ele se vê no meio de uma floresta de árvores altas. Olhando para cima é possível ainda notar claridade. Ao horizonte o sol ainda está começando a se por. O chão, coberto de folhas secas, está úmido, como se tivesse chovido mais cedo. Pedro aparenta estar seco, apesar disso. Ele repara que esta deitado, escorado em uma pedra. Ela, e todas ao redor, têm muito lodo em partes de suas superfícies. Ao lado de onde ele se encontra está uma caveira humana.
Ele se reclina e depois agacha próximo a ela. Pedro a fica encarando, analisando cada milímetro daquela caveira, procurando por algum tipo de pista. Ele a olha no lugar onde os olhos deveriam estar, um terrível calafrio sobe a espinha do rapaz. Ele não se lembra de nada, mas uma única imagem, como um frame escondido entre os pensamentos, surge em um lapso de memória. Um eneagrama e uma série numérica, com um algarismo em cada uma de suas nove pontas. 717527202. “O que isso significa?” – Ele se pergunta.
– Me chame de Rainha dos Desamparados e me dê uma coroa de espinhos. – A Caveira falou.
– O que? – Pedro fica estupefato.
A Caveira falou? A Caveira falou. Isso não seria possível. Ele ignora e conclui que deve estar tão cansado que apenas está delirando. Mas por que ele estaria cansado? Ele acabou de acordar em um lugar completamente desconhecido. Ele não se lembra de nada. Pedro acaba de perceber que a única coisa que se lembra é o próprio nome e, novamente, uma única imagem, como um frame escondido entre os pensamentos, surge em um lapso de memória. Um eneagrama e uma série numérica, com um algarismo em cada uma de suas nove pontas. 717527202. Pedro olha para o chão perto de onde estava deitado e há marcas, riscos. Como algum tipo de círculo.
– É a única coisa que sei sobre a minha vida. Do que era antes disso. – Disse a Caveira. – Eu não lembro nem o meu próprio nome. – Aquela voz estranhamente suave e profunda disse com extrema melancolia.
– Pera aí, o que? – Pedro quase pulou de susto dessa vez.
– Você realmente perguntará apenas isso? – Ela respondeu com outra pergunta.
Pedro não sabia o que pensar. Ele havia acordado em um lugar completamente desconhecido e, agora, uma Caveira começou a falar com ele. Não é para as caveiras falarem. Elas são só restos mortais. E apenas uma parte. Tem algo de muito errado acontecendo. Completamente errado. Pedro percebe um cheiro de chuva vindo ao longe. Ele olha para o pouco de céu que consegue enxergar. As nuvens não escurecem, nenhum tipo de sinal. Estranhamente o lusco-fusco parece mais arroxeado que o comum. Ele olha ao horizonte novamente e ele está se pondo mais rápido.
– Certo. Pedro, não é? – A Caveira fala com um certo desdém. – Já que você vai ficar apenas contemplando o ambiente sem se sair do lugar, eu vou te dizer tudo o que precisa saber e você vai fingir que entendeu. Entendeu? – Aquele tom de desdém tinha escalonado em alguns níveis.
Começa a escurecer aceleradamente. Pedro continua olhando para os lados confuso.
– Não, não, não… Ele já está perto. Me pegue e corra para o mais longe possível. – A Caveira disse em um tom de urgência.
– O qu-
– Não pergunte “o que?” de novo, rapaz idiota. Vá. VÁ! – Ela o interrompeu, perdendo a paciência.
Pedro faz o que a Caveira mandou. Por algum motivo ele acha que ela soa como uma pessoa nobre. Ele começa a se questionar quem ela foi em vida. O cheiro de chuva fica cada vez mais forte e próximo, mas ainda sem nenhum sinal de água a cair dos céus. Ele corre o mais rápido que pode, sem olhar para trás. Mas, apesar disso, ele consegue ouvir passos extremamente velozes, quase em ritmo de galope, vindo na sua direção. Talvez um animal muito grande. Mas por que?
O jovem começa a ficar ofegante, a Caveira em seus braços fala algo sobre dimensões de bolso, vítimas, mas ele não consegue ouvir. Ele só quer fugir, mas novamente uma única imagem, como um frame escondido entre os pensamentos, surge em um lapso de memória. Um eneagrama e uma série numérica, com um algarismo em cada uma de suas nove pontas. 717527202. É quando a noite fica completa e uma flecha atravessa o crânio de Pedro. Ele cai no chão, perto de uma chave dourada. A Caveira rola por alguns metros.
– Não, não. De novo não. – A Caveira reclama.
– Eu realmente achei que você conseguiria dessa vez. – Disse o Caçador se aproximando.
– Haha. – Ela riu ironicamente. – Você apenas escolheu mais um inútil porque sabia que ele não seria capaz de nada. – Ela disse em tom de revolta.
O Caçador era uma figura imponente. Ele tinha mais de dois metros de altura, seu queixo era largo, sua pele era branca acinzentada, ele tinha cabelos e barba ruiva, sobrancelhas grossas, traços faciais agressivos e não aparentava ser humano. Várias marcas e algumas cicatrizes eram visíveis, seus olhos emitiam uma luminescência arroxeada, como o céu. Seus trajes aparentavam uma origem greco-romana. Ele não usava armadura, apenas uma toga e uma capa confeccionados rusticamente de pelos avermelhados. Ele tinha um machado guardado nas costas, uma aljava coberta de flechas na coxa direita e um arco em mãos. Montado em um lobo atroz, cujos pelos eram mais escuros que a noite sem luar. Ele se aproxima da Caveira e a pega no chão. Ele sorri.
– Para eu cumprir o meu lado da barganha, você também precisa cumprir o seu. – Disse o caçador.
– Se você me desse, pelo menos, alguma chance. – A Caveira quase implora.
– Na próxima você consegue. – O Caçador diz ainda sorrindo.
Um imenso clarão tomou conta de tudo.

Renato acorda assustado. Ele olha ao redor e não reconhece nenhum elemento que o rodeia. Ele se vê no meio de uma floresta de árvores altas. A primeira coisa que ele nota, depois disso, é a presença de uma Caveira logo ao seu lado. Ele não se lembra de nada, mas uma única imagem, como um frame escondido entre os pensamentos, surge em um lapso de memória. Um eneagrama e uma série numérica, com um algarismo em cada uma de suas nove pontas. 963732819.
Ele ainda não se levantou e permanece completamente imóvel, prendendo a respiração o máximo que consegue. Como se o mínimo suspiro fosse despertar algo. Ele não repara que o sol está se pondo.
– Me chame de Rainha dos Desamparados e me dê uma coroa de espinhos. – A Caveira falou.
– QUE PORRA É ESSA? – Renato se assusta. A Caveira falou? A Caveira falou.
O jovem se levanta bruscamente. Uma flecha atravessa seu crânio e ele cai morto. Já era noite e ele não havia nem notado. O Caçador se aproxima caminhando calmamente, pressiona seu pé direito no pescoço do jovem e retira a flecha do seu crânio.
– Ok, dessa vez eu só estava sendo jocoso. – Disse ele enquanto limpava o sangue na capa. – Da próxima vez você terá uma ótima chance.
Se a Caveira ainda tivesse um rosto estaria com uma expressão de desaprovação nesse momento. Ela sabe que o Caçador nunca te dará uma chance real. Sua vida nunca mais será sua, seu nome nunca mais será seu. A Caveira está condenada a ser apenas isso.
Um imenso clarão tomou conta de tudo.

Rosa acorda. Ela não se lembra de nada. Ela olha ao redor e não reconhece nenhum elemento que o rodeia. Ela se vê no meio de uma floresta de árvores altas. Ela analisa, minuciosamente, os arredores. A Caveira próxima à onde ela acordou chama sua atenção. Ela a pega nas mãos e observa cada mancha e rachadura. Ela olha no lugar onde os olhos deveriam estar e vê algo. Uma única imagem, como um frame escondido entre os pensamentos, surge em um lapso de memória. Um eneagrama e uma série numérica, com um algarismo em cada uma de suas nove pontas. 129293175. A garota não sabe o que aqueles números significam e, na verdade, ela não se importa. Ao olhar para o chão ela nota que o eneagrama já esteve desenhado ali.
– Me chame de Rainha dos Desamparados e me dê uma coroa de espinhos. – A Caveira falou ainda nas mãos dela.
– Pera aí, o que? – Ela questionou.
A Caveira já estava decepcionada, mais uma alma perdida que o Caçador só estava usando para o seu bel prazer e para atormenta-la por mais alguns séculos.
– Rainha dos Desamparados? O que isso significa? E por que uma coroa de espinhos? – Ela questionou genuinamente curiosa.
– Olha, garota-
– Rosa. Meu nome é Rosa. – Ela a interrompeu.
– Rosa. Tudo bem, Rosa. Eu sou a Caveira. Eu te contarei tudo com um imenso prazer, mas apenas se sairmos daqui o mais rápido possível. O sol já vai se por logo e-
– Por que tá com um cheiro de chuva no ar? – Ela a interrompeu novamente com uma pergunta bem pertinente.
– Eu lhe explico no caminho. – A Caveira respondeu em um tom assertivo.
– Ok. – Ela imediatamente concordou.
Ela começa a correr entre as árvores e em direção ao sol. Talvez a Caveira esteja começando a gostar dela e, talvez, dessa vez realmente haja uma chance.
Rosa encontra um possível esconderijo. Um desnível bem embaixo de uma árvore. Não necessariamente um buraco, mas grande o suficiente para cabe-la ali por um tempo.
– Ok, agora você me explica o que tá acontecendo. – Rosa diz ao se sentar. Ela ergue a Caveira em suas mãos à altura dos olhos.
– Bem… Você está sendo caçada. – Ele diz em um tom quase maternalista. – Eu só posso chama-lo de “O Caçador” e ele faz isso por puro entretenimento. Ele me mantém cativa aqui, como uma espécie de isca. Ele é sádico e isso, para ele, é entretenimento.
– Como assim você só “pode” chamar ele de caçador? Ele tem um nome? – Rosa pergunta demonstrando um interesse genuíno.
– Eu estou à mercê dele enquanto permaneço cativa aqui, então tenho que obedecer certas regras impostas por ele. – Ela responde em desalento.
– Quais são essas regras? Onde a gente tá? E por que você tá presa aqui?
– Nós não estamos em lugar nenhum. Aqui não é de onde você é, nem de onde eu sou. É um espaço entre os espaços. Criado pelo Caçador com algum tipo de item mágico ou encantamento, não sei ao certo. – A Caveira começa a explicar. – Como você pode ver, eu morri. Era, ou para eu ter ressuscitado, ou ido para o mundo dos mortos. O Caçador, de alguma forma e por algum motivo, interceptou minha alma e caveira e me aprisionou aqui. É tudo só mais uma parte do jogo dele.
– Eu sinto muito. – Ela diz honestamente.
– Obrigada.
– Então se aqui não é lugar nenhum, aquilo – Rosa diz apontando com uma das mãos – não é o sol.
– Sim e não. É uma forma artificial de iluminação. Um sol que se movimenta enquanto esse lugar onde estamos, se mantém parado. E nesse contexto o Caçador é a lua.
– Por isso a gente precisa sair antes do sol se pôr, o mais rápido possível.
– Exato. – Ela confirma.
– Mas como? – Ela faz outra pergunta certa.
– Bem… Existem chaves espalhadas pela floresta, ela são nossa única oportunidade de sairmos daqui. – A Caveira pausa por uns instantes. – Com vida. – Ele disse cada letra com peso na voz.
– Mas pra onde a gente vai se sair daqui?
– Isso depende. – Ela diz com um certo receio na voz.
– Depende do que, Caveira? – Rosa pergunta com um certo tom de insolência.
– Depende de qual chave você conseguir pegar. – Ela diz com um certo pesar na voz.
Rosa fica visivelmente abalada. Ela não se lembra onde é a sua casa, mas a chance de nunca mais voltar para lá é assustadora. Ela sente uma certa nostalgia de um lugar que não sabe qual é. Ela sente um frio na espinha e uma única imagem, como um frame escondido entre seus pensamentos, surge em um lapso de memória. Um eneagrama e uma série numérica, com um algarismo em cada uma de suas nove pontas. 129293175. Rosa começa a se importar com isso.
– Os números. O que eles significam? – Ela pergunta.
– Você realmente não vai querer saber. – A Caveira diz em um tom de pesar.
Rosa aceita a resposta.
– E aquela coisa do “Rainha dos Desamparados” e “coroa de espinhos”? – Ela questiona, rapidamente mudando de assunto.
– É a única coisa que eu sei sobre a minha vida. Sobre quem eu era antes disso. – A caveira responde em um tom melancólico. – Eu acho que deveríamos ir.– Ok.
Rosa se levanta e ainda com a Caveira em mãos ela começa a se mover agachada. A floresta é densa e não há trilhas. Todo o caminho feito é à esmo. Elas contam com a sorte para encontrar uma chave. A única coisa que Rosa quer é ir embora. Ela tenta não transparecer, mas está com medo. Como nunca esteve antes. Mas, de certa forma, o medo é bom, nesse caso. Ele a deixa alerta. Ela está sendo caçada, mas ela se sente uma caçadora.
Rosa respira fundo, e se dá conta que está apenas fugindo, que é apenas uma presa. Nada daquilo faz sentido, os números não importam, uma caveira fala. E o que diabos é um eneagrama? Ela se perde em meio a esses pensamentos enquanto foge e, bruscamente, para.
– O que foi? – A Caveira pergunta.
– A gente não vai conseguir, não é? – Rosa pergunta em um tom de desesperança.
– Não, claro que vamos. Não é a hora de perder as esperanças, menina. – Ela diz novamente em um tom maternalista. E um cheiro de chuva começa a dominar o ar.
– Quantas pessoas já conseguiram fugir daqui? – Ela pergunta franzindo a testa.
A Caveira não responde.
– Foi o que eu pensei. – Rosa diz soltando a Caveira no chão. – Se alguém tivesse conseguido você não estaria aqui, não é?
A garota começa a andar. Ela vai a um ponto e dá meia volta. Rosa não sabe se aceita o fim inevitável ou se luta, mesmo que tenha mais chances de perder. Estranhamente o lusco-fusco parece mais arroxeado que o comum. Ela olha ao horizonte novamente e o sol está se pondo mais rápido. O cheiro de chuva começa a ficar forte. O sol se põe completamente. Rosa está imóvel. Ela finge que não ouve o forte barulho do Caçador chegando. É como uma trovoada. A Caveira desistiu de inspirar confiança na garota. De repente começa a chover.
– Rosa. ROSA! – A Caveira exclama.
– O QUE FOI? – Ela pergunta revoltada.
– Nunca choveu antes.
– Nunca?
– Nunca.
Rosa se abaixa. Uma flecha passa raspando pela sua cabeça quando ela começa o movimento. A garota pega a Caveira em mãos e começa a correr em zigue-zague. Ela para escorada em uma árvore alguns metros à frente.
– Nunca? – Rosa pergunta clamando por confirmação.
– Nunca.
– Ok. – Com apenas duas letras ela demonstra ter recuperado a confiança.
Ela volta a correr prestando muita atenção em tudo, caso encontre uma chave. Ainda é noite, ainda chove. O chão começa a ficar escorregadio. Elas continuam fugindo e nada da noite passar. A chuva oculta o caçador, a noite quer dizer que ele está perto. Rosa se escorrega e deixa a Caveira cair. Ela rola por alguns metros. Rosa se levanta e olha para trás, ela o vê.
O Caçador montava em um lobo atroz. Rosa nunca havia viso pelos mais escuros de que aqueles do animal. O Caçador era uma figura imponente, ele tinha mais de dois metros de altura. Seu queixo era largo, sua pele era branca acinzentada, ele tinha cabelos e barba ruiva, sobrancelhas grossas, traços faciais agressivos e não aparentava ser humano. Várias marcas e algumas cicatrizes eram visíveis, seus olhos emitiam uma luminescência arroxeada, como o céu. Seus trajes aparentavam uma origem greco-romana. Ele não usava armadura, apenas uma calça e uma toga confeccionados rusticamente de pelos avermelhados. Um machado estava guardado em costas, uma aljava coberta de flechas na coxa direita. Ele pega uma delas e leva ao arco empunhado, mirando na direção de Rosa.
Ela pula no chão e, enquanto ainda se movimentava, uma flecha atravessa sua panturrilha com extrema força. Ela continua alojada em sua carne, é possível que tenha havido uma fratura óssea. Rosa grita de dor, mas resiste. A Caveira chama sua atenção e grita.
– A CHAVE!
Uma chave dourada estava em meio à folhagem e terra úmida, bem próxima a elas. Rosa rasteja para se aproximar. O Caçador se aproxima lentamente, larga o arco no chão e pega o machado. Ela consegue chegar até a chave, mas não até a Caveira.
– O que você está esperando? – A Caveira pergunta em meio ao barulho da chuva.
– Eu não vou sair daqui sem você. – Rosa responde.
A Caveira se sente lisonjeada, mas não consegue conceber tamanha idiotice. Afinal, se apenas uma pessoa conseguir fugir, o Caçador lhe concederá sua vida de volta.
– Garota, não seja idiota e só vá. – A Caveira a repreende. – Eu não preciso disso, eu só preciso que você fuja.
– E como eu faço isso? – Ela pergunta já com a chave em mãos.
– Ninguém nunca chegou tão longe. Agora é com você. – Se a Caveira ainda tivesse um rosto estaria sorrindo de orgulho agora.
Rosa diz um “ok” para si mesma. O Caçador se aproxima, mas a chave começa a brilhar em sua mão. Ela se deita virada para cima, o brilho aumenta exponencialmente. A garota a segura com as duas mãos e à leva ao peito. Rosa fecha os olhos. Ela consegue se lembrar. Ela vê a sua casa bem no meio de Chinatown, em San Francisco. Ela se lembra da agência que trabalhava como programadora. Ela consegue ver a fazendinha de sua abuela, Alba, próxima à cidade de Cabo Rojo, bem na costa sudoeste do território. Ela se lembra dos pais que ficaram em San Juan sem água, sem energia elétrica, quase sem comida após o furacão. Ela se lembra. A luz que chave emana parece densa, parece cegar. Por causa da chuva, Rosa não consegue ouvir o que a Caveira diz a ela.
O Caçador decepa a cabeça de Rosa antes que ela fuja, antes de tudo. Um corte limpo, a cabeça nem ao menos sai do lugar, ele mantém o machado ali. A Caveira tentou alerta-la, mas foi em vão. Tudo foi em vão. O Caçador tira uma chave que estava em uma corrente em seu pescoço e ela começa a brilhar. Ele anda de volta ao lobo e, desta vez, ignora completamente a presença da Caveira.
– Caçador… CAÇADOR! – A Caveira clama e ele se vira.
– Tudo tem seu tempo. – Ele responde.
– O meu nome… Por favor. Pelo menos me diga o meu nome. – Ela, sem forças, suplica.
Ele pega o machado, vira as costas e vai andando na direção do lobo. A cabeça de Rosa rola por alguns metros.
– ÓRION, POR FAVOR, ME DIGA O MEU NOME! – A Caveira o confronta, mas em tom de súplica e meio a falhas na voz e engasgos.
– Você não pode ser o que não pode ser. – Ele fala sem querer dizer muito. – Pelo menos, dessa vez, você terá companhia… – ele sorri – Myriam.
Um imenso clarão tomou conta de tudo.
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2017.11.01 18:01 pedrothegrey Blues in Green em uma quarta-feira chuvosa

I.
Arthur tinha tomado café da manhã às pressas. Esquentou a água sem o açúcar e só percebeu quando engoliu o café com a cara de quem tinha mordido uma acerola bem verde. Caminhou até o ponto de ônibus e parecia que iria chover. Colocou seu MP3 S1 fixado no encaixe de cinto da sua calça e mexeu no fone de ouvido até achar a posição certa para fazê-lo funcionar. Mau contato. Havia comprado esse novo modelo com 512MB e receava molhá-lo. Dois dias atrás tinha deixado na lista de downloads do LimeWire um albúm de Jazz, “A Kind of Blue” e finalmente poderia escutá-lo. Trazia também “Feel Good Inc.” e outras duas mais do Gorillaz, uma tal “B.Y.O.B.”, mas achou muito agitada para uma manhã tão calma, “Ace of Spades”, “Cowboys from Hell” e “I Love Rock n’ Roll” do jogo que havia comprado recentemente, Guitar Hero. Era tudo que tinha pois seu MP3 antigo só suportava 128MB e ainda não tinha tido tempo de baixar tudo que queria.
Entrou no ônibus e pagou a passagem, R$ 1,35. Se incomodava sempre com os 35, pois era inconveniente carregar uma moeda de 25 centavos, uma de 10 e uma nota de um real, com seu beija-flor verde. De todo modo, porquê não R$ 1,25? Arthur se sentou e tentou ajustar o fone, que agora foi tirado do preciso milímetro que o deixava funcionando. Ouve-se, alto, “Hello Moto!” e em seguida um alarme com música eletrônica. No banco ao seu lado, um homem revira os bolsos e pega seu Motorola V3. Olha pelo visor, revira os olhos, respira fundo e abre o aparelho. “Alô? Oi, amor. Não, estou no ônibus, pode falar. Uhum, sei... Mas é o... não? Ah, ela fez isso de novo? Vou te dizer, essa menina não tem jeito. Por mim eu a deixava sozinha, sabe? Ela tem 18 anos, ajuntada com aquele homem que não faz nada pra ninguém. Pois é. Aham. Exatamente, ele não trabalha e... É. Nem gasta tempo com isso, sabe? É gastar energia... isso, é gastar energia à toa. Querida, eu preciso desligar porquê meus créditos vão acabar. Se eu puder te mando um SMS quando chegar. Tá bom, beijos.”
Depois dessa conversa apaixonada, Arthur finalmente consegue ajustar seu fone de ouvido, Blues in Green numa quarta-feira chuvosa. Deus, que coisa boa. O ônibus passa por toda sorte de estradas esburacadas, rios espumantes e pela refinaria de petróleo, com suas torres eternamente em chamas, enrusbescendo o céu noturno. Mas não era noite. Arthur havia chegado na Universidade e chovia fino. Uma brisa leve carregava as gotinhas gentis para seus óculos. Sentou na cantina e pediu um café e um pão com manteiga, 25 centavos. Um par de mãos oculta seus olhos.
— Adivinha quem é. - Disse uma voz feminina.
— Camila? - Arthur respondeu, rindo.
— Idiota. - Ela riu uma risada com gosto de Blues in Green numa quarta-feira chuvosa.
— É brincadeira. - E a beijou.
— Sentiu minha falta?
— É claro, sempre sinto.
— Mesmo quando a gente se fala pelo MSN?
— Especialmente nesses dias.
— Deixa eu ver o MP3 novo. - E o mostrou a ela.
— 512 megas? Não sei nem o que colocar aí dentro. - Ela disse.
— Pois é. Eu também estou perdido, acabei baixando algumas coisas novas, mas nem tenho espaço no computador de casa para tanta música.
— Isso porque você ocupa a máquina com seus joguinhos.
— Half Life não é um joguinho, Jéssica. É um marco.
— Eu acho que é um joguinho.
— Você deve ter razão.
— Sempre tenho.
Saíram da lanchonete e entraram no prédio da Universidade. Se despediram com um longo beijo. Jéssica seguiu para sua aula de 8:30h no 9º andar. Arthur parou na sacada do 3º andar e acendeu um cigarro. Observou os pássaros indo e vindo, os carros que saiam de uma pista de via dupla para uma via de quatro pistas e a fumaça do cigarro. Havia já uma semana que alguns cursos da Universidade estavam parados, incluindo o dele. Greve. Por sorte, Jéssica continuava tendo suas aulas. Ele não podia trabalhar pois o curso poderia voltar a qualquer momento e os horários jamais o deixariam ter um emprego fixo. Essa era a terceira greve do ano. Jéssica ainda não sabia da decisão de Arthur quando ele se encaminhou para a secretaria e pediu, mais tarde naquele dia, o cancelamento da sua matrícula.
II.
O dia anterior, uma terça-feira, foi feriado nacional. Caterine e Umberto, pais de Arthur, faziam planos de alterar o jardim. Queriam comprar vigas de eucalipto tratado e construir um tipo de portal extenso, que seria coberto de uma tela aonde se plantaria maracujá ou bougainville. Não era uma má ideia, mas Umberto detestava gastar os feriados trabalhando. Pela velha tirania de ímpeto conjugal, Caterine o convence a ir comprar a madeira. Ele pede para que Arthur o acompanhe e assim ele o faz. Depois de alguns minutos de um silêncio desconfortável no carro, eles chegam a madeireira. Umberto faz toda sorte de perguntas à vendedora, que o recebe com uma simpatia destoante de estar trabalhando no feriado. Ela diz o preço, R$ 60 por nove vigas de um metro e sessenta de altura. Umberto se interessa e segue para o estoque para conferir os eucaliptos, mas vê de imediato que são pequenos demais para o que quer. Desiste da compra, com um sorriso no rosto. Voltam para casa e contam toda a história para Caterine, que desconfia da boa vontade dos dois.
Mais cedo naquele dia, Jéssica havia chamado Arthur para que a fosse visitar, tomar café e ver um filme novo que havia alugado, “Lord of War” com Nicolas Cage. Ela morava a bons dez ou quinze quilômetros de Arthur. Umberto estava sentado na sala, vendo o resultado dos jogos de futebol.
— Ei, pai. Será que eu posso pegar cinco reais para abastecer o carro e sair com a Jéssica? - Arthur perguntou.
— Hm... - E olhou para ele.
Se levantou e foi para a varanda, onde acendeu um cigarro. Por alguns segundos, Arthur achou que ele havia o esquecido. Quando pensou em perguntar de novo, Umberto o olhou nos olhos.
— Olha, eu não tenho como sustentar você, o carro e a garota. A gente tá apertado e você sabe disso.
— Tudo bem, só perguntei mesmo.
— Quando você trabalhar você vai...
— Eu entendi, tá tudo bem.
— Me escuta.
— Não precisa.
— Ah, então que se... - e xingou.
Arthur procurou pelo seu quarto, na sala e na cozinha por todas as moedas que conseguia encontrar. Achou um total de 80 centavos. Ainda não dava para pagar as duas passagens, muito menos abastecer o carro. No computador de Jéssica, um pop-up: “Arthur s2 está online”. “Estou indo, mas vou demorar um pouco.” ele escreveu. E saiu de casa a pé.
Alguns quilômetros depois, cansado, parou e se sentou num banco. Acendeu um cigarro que havia pegado de Umberto à noite. Ele havia parado na frente do edifício do escritório, seu novo emprego. Tinha mandado o curriculum para lá há um mês e o aceitaram como qualquer-coisa-junior. Tinha a impressão de ser sua carta de alforria. Ninguém sabia, nem mesmo Jéssica. Deu uma última tragada e tomou coragem para continuar a caminhada.
III.
Passaram-se dois meses. Era aniversário de Caterine e a família de Arthur iria se reunir. Estava quente, seco e os olhos de Arthur ardiam. Havia se mudado há duas semanas e meia. Sua casa só tinha uma televisão de 29 polegadas em cima de um banquinho de plástico, uma geladeira, cama, fogão e a mesa do computador. Saiu de casa com o estômago embrulhado. No seu computador, pairava uma mensagem de Jéssica: “Tá aí? Podemos conversar?”. Saiu de casa depressa, como se pudesse fugir da situação.
Chegou na festa. Faziam churrasco e a fumaça nublava o ambiente. Música alta e conversas. Tinham por volta de 10 adultos, mais Umberto e Caterine e umas cinco ou seis crianças correndo sem parar. Arthur deu um beijo na mãe e seu presente. Sentou-se, comeu e conversou todos os típicos papos de famílias que só se veem duas vezes por ano. Foi buscar água dentro de casa, Umberto o acompanhou.
— E aí? Como está indo no emprego? - Perguntou Umberto.
— Indo. Nada de novo.
— E a casa? Conseguiu resolver a documentação?
— Amanhã eu vou terminar.
— E a Jéssica? Tudo bem? Porquê ela não veio?
— Não sei.
— Vocês estão...
— Eu não sei.
— Ela deve ter ficado chateada porquê você largou tudo.
— Duvido.
— Vocês começaram a brigar depois disso, não foi?
— Não.
— Bom, ela deve ter ficado chateada por isso.
— É você que está incomodado com isso.
— Eu sempre achei que você poderia fazer coisa melhor.
— Eu também.
— E porquê você não estudou para aquele concurso?
— Não sei.
— Seu problema é só preguiça. Você tinha o mundo nas mãos.
— Eu ainda posso tentar fazer um concurso.
— Você vai mesmo?
— Não sei.
— Imaginei que não.
A noite chega e Arthur segue para casa. Senta-se na cadeira do computador e mexe o mouse. O monitor de tubo faz estática na tela e o desktop começa a ganhar vida. Quinze mensagens de Jéssica, todas muito grandes. Ele não lê. Segue direto para o banho e depois deita na cama, virado para a parede. Sentia um formigamento na barriga que ia ficando cada vez mais forte, até se tornar dor. Seu coração palpitava cada vez mais forte enquanto sua mente tentava não pensar em tudo aquilo. Nas mensagens e nas decepções... Ele tentava esquecer. Tentava lembrar das músicas novas que havia baixado e dos filmes que iriam lançar no ano seguinte. Mas os filmes ele veria com ela. Não tinha importância, ainda teria lugares para ir, coisas para ser. Ele poderia trabalhar ainda mais longe da família. E esqueceu do seu esforço para esquecer. "E se acabasse? E se ela realmente me deixasse? Não, isso não vai... Vamos conversar e resolver isso. Mas e se realmente... Não, ela só quer conversar mesmo. Nós vamos conversar e ir ao cinema depois. Mas...".
A garganta de Arthur dói, seus olhos ardem. Ele continua olhando para a parede tentando não pensar em nada. Um barulho na porta. Arthur respira, se levanta da cama e tenta não desabar. Encosta, tremendo, na maçaneta e abre a porta. Não era nada. Ele inventou esse barulho na sua cabeça. As dores vão embora mas Arthur continua a tremer. Ele ri da sua situação. Se deita novamente, olhando para a parede. Um barulho de pop-up (o barulho personalizado de Jéssica). As dores voltam lentamente. Deitado de bruços, ouve seu coração batendo como se fosse o de um touro. Sua respiração indo e vindo sem qualquer padrão, enchendo seus pulmões com lufadas de ar irregulares. Pulmão lhe fez lembrar de fumar. Acendeu um cigarro perto da janela. Tragou fundo e sentiu suas pernas fracas e a cabeça pesada, como se fosse o primeiro cigarro. Questionou se era efeito da nicotina. De repente, um novo barulho na porta. Toc toc toc. Com um cigarro aceso na boca, a fumaça lhe queimando os olhos e provocando lágrimas, ele abre a porta.
— Arthur... Precisamos conversar.
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